
Maputo, 24 fev 2026 (Lusa) – Três funcionários públicos, incluindo uma administradora distrital, estão detidos por suspeitas de desvio de donativos destinados às vítimas das cheias na cidade de Xai-Xai, capital provincial de Gaza, sul de Moçambique, disse hoje a polícia de investigação criminal.
“Na sequência das investigações levadas a cabo com vista ao esclarecimento dos factos, no dia 22 de fevereiro de 2026, por volta das 20:00 [18:00 em Lisboa], foi desencadeado um trabalho operativo junto dos armazéns do INGD [Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres], onde foram surpreendidos dois funcionários públicos a efetuarem o carregamento dos referidos produtos”, disse o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) em Gaza, Zaqueu Mucambe, durante uma conferência de imprensa.
Segundo o porta-voz do Sernic, estão detidos a administradora do distrito de Xai-Xai, o diretor do gabinete da governadora de Gaza e o fiel de armazém, encontrados a fazer o carregamento dos produtos fora da hora estabelecida.
“Apurou-se ainda que parte dos produtos subtraídos eram escondidos em suas residências, locais onde foram apreendidas grandes quantidades de produtos”, disse Mucambe, explicando que os bens são avaliados em cerca de 300 mil meticais (cerca de 4.000 euros).
Entre os produtos apreendidos, destacam-se 41 fardos de roupa usada, 63 sacos de farinha de milho, 20 sacos de arroz de 25 quilogramas, três caixas de dois litros de óleo vegetal, dois sacos de 50 quilogramas de feijão manteiga, nove embalagens de açúcar e um número não especificado de colchões.
O Serviço Nacional de Investigação Criminal suspeita que existam mais funcionários públicos envolvidos no esquema de desvio de produtos e diz que decorrem ainda investigações, enquanto os já detidos serão submetidos ao juiz de instrução criminal.
Segundo o INGD, as cheias de janeiro mataram 27 pessoas e afetaram outras 724.131 pessoas, sendo a província de Gaza a mais devastada.
O número total de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 239, com registo de quase 870 mil pessoas afetadas, desde outubro, segundo a atualização feita hoje pelo instituto de gestão de desastres.
Os dados do INGD indicam ainda que 555.040 hectares de áreas agrícolas foram afetados neste período, 288.016 hectares dos quais dados como perdidos, atingindo 365.784 agricultores. Também 530.998 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves, e foram afetados 7.845 quilómetros de estrada, 36 pontes e 123 aquedutos.
Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 149 centros de acomodação, que albergaram 113.478 pessoas, dos quais 41 ainda estão ativos, com pelo menos 33.905 pessoas.
SYCO (PVJ) // MLL
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