Moçambique aumenta para 555 mil metros cúbicos quota de madeira a explorar em 2026

Maputo, 24 fev 2026 (Lusa) – O Governo moçambicano aprovou hoje uma quota de 555 mil metros cúbicos (m3) para a exploração de madeira este ano em todas as províncias do país, um aumento face ao limite estipulado nos anos anteriores. 

A resolução que aprova a quota de exploração anual foi aprovada na reunião do Conselho de Ministros, hoje, com o porta-voz do órgão, Inocêncio Impissa, a esclarecer que a quantidade de madeira a explorar é definida por classes de espécies para cada província moçambicana.

“A quota anual de exploração de madeira representa o volume por espécie que pode ser explorado anualmente de forma sustentável, sendo definida com base nos dados do Inventário Florestal Nacional realizado no ano de 2018”, que estimou um potencial total que varia entre 1,6 milhões e 2,1 milhões de m3 de todas as espécies de madeira comercial, recordou Impissa.

Para 2025 foi aprovada pelo Governo uma quota de 485.936 m3, 20% dos quais em Cabo Delgado, norte do país, e no ano anterior de 485.436 m3.

O porta-voz do Conselho de Ministros lembrou que o regulamento da Lei de Florestas estabelece a necessidade de fixação de quotas anuais de exploração florestal destinada ao consumo interno e à exportação, especificando que o mesmo determina o período entre 01 e 31 de março de defeso florestal, durante o qual é proibida a exploração de produtos florestais madeireiros.

Em dezembro, a Lusa noticiou que Moçambique perde anualmente 500 milhões de dólares (424,3 milhões de euros) em práticas “insustentáveis” no setor florestal, como a exploração madeireira ilegal e a agricultura de corte e queima, estimou o Forest Stewardship Council (FSC).

A desflorestação em Moçambique afetou 875.453 hectares entre 2019-2022, atingindo sobretudo as províncias de Niassa e da Zambézia, de acordo com um relatório do Instituto Nacional de Estatística, segundo o qual, em 2022, a desmatação — de vários tipos de floresta — recuou 31% face ao ano anterior, para 209.464 hectares.

O pico da desflorestação foi registado em 2021, com 303.689 hectares, sendo 264.999 hectares de floresta tropical, 29.258 hectares de floresta semi sempre-verde e 99 hectares de mangal, entre outras.

 

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