Exposição “Posso Ajudar?” ecoa perguntas de 80 artistas de todo o mundo no MAC/CCB

Lisboa, 24 fev 2026 (Lusa) — A exposição “Posso ajudar?”, com 127 obras de 80 artistas de todo o mundo, que questionam a ideia da direção única da História da Arte, é inaugurada na quarta-feira no Museu do Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

O projeto curatorial tem como objetivo apresentar a diversidade de representações e narrativas artísticas desde 1970 até à atualidade, no Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural de Belém (MAC/CCB), segundo os curadores responsáveis, Nuria Enguita, diretora do museu, Marta Mestre e Raphael Fonseca.

“Trata-se de uma possível leitura estrutural das coleções em depósito no museu, e também de empréstimos de outras instituições, galerias de arte e artistas, traçando um percurso da História da Arte e do mundo”, descreveu Nuria Enguita, recordando que os anos 1970 foram “de grandes mudanças globais e movimentos de contra cultura”.

O título escolhido para a exposição foi retirado da obra homónima da artista norte-americana Andrea Fraser — um vídeo de 1991 com uma performance crítica e irónica sobre o mundo da arte envolvendo atores com diferentes reações às obras de arte num museu –, explorando a questão de como o consumo de arte legitima hierarquias sociais e distinções de classe.

A exposição no MAC/CCB utiliza o questionamento de Fraser como ponto de partida para refletir sobre relações entre o público e as instituições artísticas, reunindo peças de artistas portugueses e estrangeiros como Gabriel Abrantes, Sol Lewitt, Ana Jotta, Irma Blank, Allan Sekula, Júlia Ventura, Kara Walker, Franz West, Taysir Batniji, Daniel Buren, Fernanda Fragateiro, Silvestre Pestana e Olaf Breuning.

“Esta seleção de obras é o resultado de uma investigação sobre o que os artistas são e fazem, e os papéis sociais que imaginam para si próprios, desde as ruturas em relação à própria definição de arte nos anos 1970, até à acelerada digitalização do presente”, apontou Nuria Enguita, acrescentando que a exposição “conclui o processo de reorganização da coleção permanente do MAC/CCB, a partir das coleções em depósito”.

“May I Help You? Posso Ajudar?” irá funcionar como a continuidade da exposição permanente do piso 2 do museu — “Uma Deriva Atlântica” – que percorre a História da Arte desde 1909 até aos anos 1970, sublinhou.

A mostra é construída em grande parte com base nas coleções em depósito no MAC/CCB – Berardo e Teixeira de Freitas — e em comodato, a Coleção Ellipse, integrada na Coleção de Arte Contemporânea do Estado, cedida ao museu através de um protocolo assinado em fevereiro com a Museus e Monumentos de Portugal (MMP).

Questionada sobre as eventuais limitações que a recente assinatura do protocolo com a MMP possa ter tido na elaboração da exposição, Nuria Enguita declarou: “O funcionamento do protocolo está em sintonia com o nosso trabalho curatorial de escolha das peças”.

Globalmente, para esta mostra, foram selecionadas 62 obras da Coleção Ellipse, 36 da Coleção Berardo, 10 da Coleção Teixeira de Freitas e cerca de 30 provenientes de empréstimos.

“Posso Ajudar?” — que custou 200 mil euros — integra uma obra comissionada ao artista português Bruno Zhu, e outra à argentina Ad Minoliti, colocada nas paredes que dão acesso à entrada na exposição, ladeando “March”, de Gilbert & George, de 1986, ano em que a dupla venceu o Prémio Turner para as artes.

Relativamente ao orçamento disponível para a aquisição de novas obras, a responsável remeteu para o presidente do CCB, também presente na visita: “É uma questão que está a ser trabalhada”, respondeu Nuno Vassallo e Silva.

Dividida em três núcleos — “Produções”, “Mudanças” e “Tramas” — que “funcionam como conceitos-chave para guiar os visitantes pelo percurso, tornando-se eixos abertos com amplas cronologias que estabelecem relações, de forma a que cada pessoa possa ver a sua própria exposição”, indicou a diretora.

No contexto do museu, a escolha da pergunta da artista norte-americana tem como objetivo levantar outras interrogações “sobre o tipo de conexão que é possível esperar na era atual de crescente fragmentação, dissonância e impermanência”, comentou ainda Nuria Enguita.

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