Arbeloa espera grande noite e diz que UEFA pode dar ‘machadada’ no racismo

Madrid, 24 fev 2026 (Lusa) — O treinador do Real Madrid disse hoje, na conferência de antevisão do jogo com o Benfica, que a UEFA tem a oportunidade de dar um golpe em matéria de racismo, ainda em relação às acusações sobre Prestianni.

A habitual conferência que antecede o jogo da ‘Champions’ foi dominada pelos incidentes no jogo da primeira mão, que levaram a UEFA a suspender preventivamente o argentino do Benfica, acusado de ser racista por Vinicius Júnior.

“A minha opinião é a mesma, estamos perante uma oportunidade de dar um golpe no racismo. A UEFA sempre agitou a bandeira desta luta e tem a possibilidade de dar um golpe”, afirmou Álvaro Arbeloa.

O assunto entrou na ordem do dia após o jogo da primeira mão, quando Vinicius Júnior, após marcar o golo da vitória ‘merengue’ na Luz (1-0), comemorou de forma exuberante e nas trocas de palavras seguintes disse que Prestianni o chamou de ‘mono’.

“Vini marcou um golo muito bonito, fantástico. E nada do que possa fazer, ou tenha feito, justifica um ato de racismo”, considerou ainda Arbeloa.

Para o reencontro com o Benfica, o treinador do Real Madrid diz que o pensamento está na vitória e seguir para os oitavos de final da Liga dos Campeões, admitindo que “será um jogo muito especial” e uma “grande noite de Champions no Bernabéu”.

Em relação ao Benfica, que não terá no banco o treinador José Mourinho, expulso no primeiro jogo, Arbeloa espera, na mesma, um adversário forte.

“Estão focados em fazer um grande jogo, tal como eu. Não será a primeira vez que Mourinho não estará no banco e as suas equipas sempre tiveram rendimento. Espero uma grande equipa amanhã, com alguns ajustes em relação ao primeiro jogo. Espero que seja uma grande partida, com espetáculo e que ganhe o Real Madrid”, comentou o treinador espanhol.

Na conferência também esteve o guarda-redes Thibaut Courtois, também ‘confrontado’ com o tema Vinicius e Prestianni, e com críticas a José Mourinho, quando questionado se o treinador português o tinha desiludido.

“Bem, Mourinho é Mourinho, mas incomoda-me que recorra ao festejo de Vinicius. Não podemos justificar um presumível ato de racismo devido a uma comemoração”, disse o guarda-redes ‘merengue’, acrescentando que Vinicius “ouviu a 100%” o que lhe foi dito.

Courtois lembrou que o internacional brasileiro tem sido muitas vezes alvo de discriminação, embora admita ser uma palavra contra a outra, mas que o grupo do Real Madrid está totalmente com o seu companheiro de equipa.

“Como tapou a boca nunca o saberemos. E o Benfica defenderá o seu jogador. Não nos cabe a nós: agora é com a UEFA e com as instituições”, acrescentou o guarda-redes, referindo ainda que é igualmente um insulto homofóbico, que Prestianni terá também dito, e que alguns adeptos do Benfica tiveram comportamentos inaceitáveis, com gestos a imitarem macacos.

Sem falar do jogo de quarta-feira, o guarda-redes internacional belga também lamentou que o presidente do Benfica, Rui Costa, tenha dito que existe uma agressão de Fede Valverde, embora a UEFA tenha arquivado essa queixa.

“Falar de Valverde, não tem nada a ver. Não tinha intenção de atingir ninguém”, disse o guarda-redes, em relação ao caso do jogo da primeira mão, em que o médio uruguaio atinge com a mão a cara do lateral benfiquista Dahl, para o afastar do lance.

O jogo entre Real Madrid e Benfica, da segunda mão do play off de acesso aos oitavos de final, está agendado para quarta-feira no Estádio Santiago Bernabéu (20:00, horas de Lisboa) e terá arbitragem do esloveno Slavko Vincic.

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