PM timorense reconhece dificuldades em dar resposta às necessidades da população

Liquiçá, Timor-Leste, 24 de fevereiro de 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, reconheceu hoje as dificuldades do Governo em responder, nos últimos anos, às preocupações da população, no início da avaliação aos municípios para começar o processo de descentralização.

“Desde o início, quando assumimos o Governo, verificámos que o Governo central tem tido muitas dificuldades em responder adequadamente às condições de vida da população”, afirmou Xanana Gusmão.

O líder do governo timorense falava em Liquiçá, onde hoje deu início a visitas a todos os municípios do país para acompanhar diretamente a implementação de vários projetos relacionados com a descentralização e avaliar qual deles está preparado para realizar eleições municipais em 2027.

Na sua intervenção, Xanana Gusmão apelou às autoridades municipais, postos administrativos e estruturas locais para trabalharem em conjunto e coordenarem esforços, canalizando os recursos para as áreas prioritárias.

“Devem responder, em primeiro lugar, às necessidades da população e identificar as vossas potencialidades para desenvolver o vosso município”, afirmou.

Timor-Leste é independente há mais de 23 anos, mas continua a enfrentar problemas nas infraestruturas, nas áreas sociais como a saúde e a educação, e no desenvolvimento económico, sobretudo no setor agrícola, e institucional.

“Até setembro ou outubro saberemos qual o município que poderá receber o poder local”, salientou, alertando que quem não quiser assumir responsabilidades, não trabalhar em conjunto e não melhorar as suas potencialidades dificilmente conseguirá avançar.

Xanana Gusmão pediu também às autoridades de Liquiçá para evitarem práticas de favorecimento familiar ou partidarismo nos processos de adjudicação, de modo a acelerar os projetos, advertindo que as empresas que não cumprirem com as responsabilidades não voltam a receber contratos públicos.

O presidente da Autoridade Municipal de Liquiçá, Paulino Ribeiro, destacou que a transferência de competências do Governo central para os municípios vai potenciar os recursos e permitir o aumento de receitas.

Entre os principais desafios enfrentados por Liquiçá estão a excessiva centralização de poderes no Governo central, o orçamento anual e o investimento nos setores produtivos, os recursos humanos, as infraestruturas básicas e a sustentabilidade.

O município de Liquiçá tem uma população de 96.591 habitantes e uma taxa de desemprego de cerca de 47%.

A avaliação vai decorrer até 18 de março.

A descentralização territorial faz parte do programa do Governo e prevê a transferência de atribuições, competências e responsabilidades para os órgãos locais e municípios, com vista à prestação de serviços de maior qualidade à população.

O Executivo timorense considera que a descentralização aumentará a participação democrática e impulsionará o desenvolvimento do sector privado nos municípios.

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