Banco Mundial disponibiliza 170 ME para apoio às cheias em Moçambique

Maputo, 23 fev 2026 (Lusa) – O Banco Mundial anunciou hoje a disponibilização de 170 milhões de euros a Moçambique, para mitigar as consequências das inundações e da atual época chuvosa, que desde outubro já matou 235 pessoas e afetou quase 870 mil.

“Temos uma capacidade imediata, nos próximos meses, de mobilizar 200 milhões [de dólares, 170 milhões de euros]. E, dependendo das necessidades, veremos como podemos alargar esse programa”, disse o diretor do Grupo Banco Mundial para Moçambique, Fily Sissoko, após uma reunião, na Presidência da República em Maputo, com o Presidente moçambicano, Daniel Chapo.

O encontro, que serviu para apresentar ao chefe de Estado o novo Quadro de Parceria (CPF) a cinco anos, de cerca de 3.000 milhões de dólares (2.550 milhões de euros), permitiu, explicou Sissoko, debater o apoio do Banco Mundial na “resposta às inundações” no país.

“Para garantir que o nosso apoio fosse reforçado. E vamos ter outra reunião de acompanhamento com o ministro Valá [Salim Valá, ministro da Planificação e Desenvolvimento], na quarta-feira, para discutir o programa do Governo e a forma como podemos realmente aumentar a escala”, acrescentou o responsável.

No final do encontro na Presidência da República, a ministra das Finanças de Moçambique, Carla Loveira, destacou, no âmbito da parceria com o Grupo Banco Mundial, “duas linhas adicionais” colocadas à disposição do país, uma das quais de “prevenção para a resiliência”, de 450 milhões de dólares (382 milhões de euros), para vigorar durante três anos.

Acresce um apoio emergencial de 20 milhões de dólares (17 milhões de euros), já disponibilizado, para financiar ações urgentes no âmbito das cheias.

“Essencialmente para aquisição de alimentos, para aquisição de medicamentos e também para aquisição de produtos sanitários de emergência”, disse Carla Loveira.

O número total de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 235, com registo de quase de 870 mil pessoas afetadas, desde outubro, segundo a atualização feita hoje pelo instituto de gestão de desastres.

De acordo com informação consultada pela Lusa na base de dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), atualizada às 12:05 locais (10:05 em Lisboa), foram afetadas 868.593 pessoas na presente época das chuvas, correspondente a 200.739 famílias, havendo também 12 desaparecidos e 331 feridos.

Este balanço contabiliza mais cinco mortos face à atualização de sábado.

Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 27 mortos – afetando 724.131 pessoas – e a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados atualizados do INGD sobre a época das chuvas.

Acrescenta-se que um total de 15.279 casas ficaram parcialmente destruídas, 6.133 totalmente destruídas e 183.824 inundadas, na presente época chuvosa. Um total de 272 unidades de saúde, 82 locais de culto e 717 escolas foram afetadas em menos de cinco meses.

Os dados do INGD indicam ainda que 555.040 hectares de áreas agrícolas foram afetados neste período, 288.016 hectares dos quais dados como perdidos, atingindo 365.784 agricultores. Também 530.998 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves, e foram afetados 7.845 quilómetros de estrada, 36 pontes e 123 aquedutos.

Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 149 centros de acomodação, que albergaram 113.478 pessoas, dos quais 41 ainda estão ativos, com pelo menos 33.905 pessoas.

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