
Caracas, 22 fev 2026 (Lusa) — Mais de 200 presos polÃticos afirmaram hoje que estão em greve de fome após a libertação de outros 80 no sábado, no âmbito de uma lei de amnistia aprovada pelo Governo interino da Venezuela.
Familiares e amigos dos presos polÃticos contactados pela agência de notÃcias France-Presse adiantaram que cerca de 214 presos polÃticos, venezuelanos e estrangeiros, estão a fazer greve de fome pelo facto de a amnistia não se aplicar aos seus casos.
O movimento começou na prisão de Rodeo I, nos arredores de Caracas.
“Cerca de 214 no total, entre venezuelanos e estrangeiros, estão em greve de fome”, explicou Yalitza GarcÃa, sogra de Nahuel AgustÃn Gallo, um polÃcia argentino acusado de terrorismo.
“Eles decidiram iniciar uma greve de fome na sexta-feira, após os resultados da lei de amnistia, que não beneficia a grande maioria”, explicou Shakira Ibarreto, filha de um polÃcia preso em 2024.
As famÃlias explicaram que os detidos protestam contra o alcance da lei de amnistia, que não beneficia muitos dos prisioneiros dessa instituição.
A justiça venezuelana concedeu liberdade a 379 prisioneiros polÃticos após a aprovação de uma lei de amnistia.
Aprovada e promulgada na quinta-feira, esta lei de amnistia foi prometida sob pressão dos Estados Unidos pela Presidente interina, Delcy Rodriguez.
Delcy Rodriguez iniciou uma normalização das relações com Washington, rompidas desde 2019, desde que assumiu o poder após a captura do ex-Presidente Nicolas Maduro durante uma operação militar norte-americana, em 03 de janeiro.
Além das libertações já anunciadas, a Assembleia Nacional instalou na sexta-feira uma comissão especial encarregada de analisar os casos dos presos polÃticos excluÃdos da amnistia.
No total, 1.557 detidos solicitaram a sua libertação ao abrigo da lei, segundo Rodriguez numa conferência de imprensa.
No entanto, vários especialistas questionam o alcance da lei de amnistia: centenas de detidos, como polÃcias e militares envolvidos em atividades consideradas terroristas, podem ficar excluÃdos.
A medida não cobre inteiramente o perÃodo de 1999 a 2026, que corresponde à s presidências de Hugo Chávez (1999-2013) e do seu sucessor, Nicolás Maduro.
O presidente do parlamento da Venezuela, Jorge RodrÃguez, afirmou que as autoridades estão a considerar conceder “medidas de clemência” ou indultos presidenciais a pessoas excluÃdas da lei da amnistia.
RodrÃguez, irmão da Presidente interina da Venezuela, Delcy RodrÃguez, anunciou no sábado que muitas das pessoas que não serão cobertas pela amnistia estão a ser consideradas para “medidas de clemência ou indulto presidencial”.
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