
Paris, 22 fev 2026 (Lusa) — O presidente francês escreveu recentemente a Donald Trump para pedir o levantamento das “sanções injustamente impostas” a vários cidadãos europeus, incluindo o antigo comissário europeu Thierry Breton e o juiz Nicolas Guillou, revelou o jornal La Tribune Dimanche.
“Gostaria de chamar pessoalmente a sua atenção para as sanções impostas pelos Estados Unidos contra vários cidadãos europeus, incluindo dois franceses, Nicolas Guillou, juiz do Tribunal Penal Internacional, e Thierry Breton, antigo comissário europeu”, escreveu Emmanuel Macron na carta ao homólogo norte-americano.
Na mensagem divulgada pelo jornal La Tribune Dimanche, cujos excertos foram consultados e divulgados hoje pela AFP, o Presidente francês pede a Donald Trump que “reconsidere estas decisões da sua administração e que levante as sanções injustamente impostas a Nicolas Guillou e Thierry Breton”.
Thierry Breton foi acusado de “censura extraterritorial” em detrimento dos interesses norte-americanos pelo Departamento de Estado e está proibido de permanecer nos Estados Unidos desde dezembro de 2025.
Este artífice da diretiva europeia sobre serviços digitais mostrou-se na vanguarda da regulamentação das plataformas tecnológicas, o que os Estados Unidos consideram uma violação da liberdade de expressão, escreve a agência de noticias francesa.
O chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, também se insurgiu contra os “atos flagrantes de censura extraterritorial”.
“As sanções adotadas contra Thierry Breton prejudicam a autonomia regulatória europeia e, além disso, baseiam-se em análises erradas: a regulamentação digital europeia não tem, de facto, qualquer alcance extraterritorial e aplica-se sem discriminação, no território europeu, a todas as empresas envolvidas”, responde Emmanuel Macron na carta.
O juiz Nicolas Guillou foi sancionado por Washington em agosto de 2025, juntamente com outros magistrados do Tribunal Penal Internacional (TPI), devido ao seu envolvimento no processo de mandado de prisão contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
Também proibido de entrar no território, o seu cartão Visa – um serviço norte-americano – foi-lhe igualmente retirado pelo seu banco em França e já não pode utilizar uma série de serviços digitais norte-americanos, desde o Airbnb até à Amazon.
“As sanções adotadas contra Nicolas Guillou violam o princípio da independência da justiça e o mandato do TPI”, protesta Emmanuel Macron.
“Posso aguentar muito tempo” sem cartões Visa e serviços digitais norte-americanos, afirmou Nicolas Guillou, na terça-feira, quando foi a Bruxelas para exigir que a União Europeia acorde para a soberania bancária e digital.
“Mas não vou aguentar se nada acontecer”, advertiu, antes de uma reunião com responsáveis da Comissão Europeia.
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