
Hong Kong, China, 21 fev 2026 (Lusa) – O Governo de Hong Kong disse hoje que a decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos (EUA) de anular as tarifas aduaneiras impostas pelo Presidente norte-americano demonstra a importância da estabilidade regulatória.
O secretário para os Serviços Financeiros e Tesouro de Hong Kong, Christopher Hui Ching-yu, defendeu que uma das vantagens da região chinesa é precisamente “a estabilidade e a certeza das políticas”.
Num programa de rádio da emissora pública RTHK, o dirigente disse que o território é visto “como um porto seguro para o capital e o investimento”, sobretudo porque “os investidores globais sabem a importância da previsibilidade”.
Na sexta-feira, o Presidente dos EUA, Donald Trump, impôs uma nova tarifa aduaneira global de 10% sobre “todos os países”, após o Supremo Tribunal ter anulado as taxas que havia imposto.
Christopher Hui desvalorizou o efeito da nova taxa em Hong Kong, lembrando que, mesmo quando os EUA impuseram tarifas à cidade no passado, o impacto na economia local “tem sido relativamente limitado”.
O secretário sublinhou que a economia da região está atualmente numa trajetória positiva, nomeadamente o setor dos serviços financeiros, que representa “uma fatia considerável” do Produto Interno Bruto (PIB).
A decisão do Supremo Tribunal dos EUA incide sobre as chamadas “tarifas recíprocas” aplicadas em abril à maioria dos países, bem como sobre outras taxas decretadas com base numa lei de 1977 que permite ao Presidente regular importações em situação de emergência nacional.
A maioria dos juízes considerou que a lei não confere ao chefe do Executivo autoridade para impor impostos sobre importações, competência que a Constituição atribui ao parlamento.
O caso representa o primeiro grande dossiê da agenda de Trump a chegar diretamente ao Supremo Tribunal, que o Presidente ajudou a moldar com a nomeação de três magistrados conservadores durante o seu primeiro mandato.
A nova taxa de 10% irá somar-se às “tarifas aduaneiras normais já em vigor”, afirmou Donald Trump, sugerindo que a maioria dos acordos comerciais com os Estados Unidos continuam de pé.
Os direitos aduaneiros cobrados pelas autoridades norte-americanas e visados pela decisão do Supremo Tribunal ultrapassaram os 130 mil milhões de dólares em 2025 (cerca de 110 mil milhões de euros ao câmbio atual), segundo analistas.
A 09 de abril de 2025 os EUA implementaram tarifas para determinados países.
Desde então, o governo Trump tem vindo a negociar acordos com os principais parceiros comerciais, muitas vezes reduzindo as tarifas em contrapartida de aumento das compras de produtos norte-americanos e investimentos industriais no país.
Trump tem usado as tarifas alfandegárias também para coação política, mais recentemente ameaçando com sobretaxas os países europeus que apoiaram a Dinamarca na crise em torno da Gronelândia.
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