
Lisboa, 17 fev 2026 (Lusa) – Quase 60% das mulheres trabalhadoras em Portugal recebia uma remuneração base até 1.000 euros brutos em novembro de 2025, sendo que destas uma em cada cinco ganhava o salário mÃnimo nacional, conclui um estudo elaborado pela CGTP.
“Em Portugal mais de metade dos trabalhadores (55,9%) recebia, no máximo, 1.000 euros de salário base bruto em novembro de 2025”, indica o estudo elaborado pela Comissão para a Igualdade entre Mulheres e Homens da CGTP, para assinalar a semana da igualdade e o Dia Internacional da Mulher.
Com base nos dados do Instituto da Segurança Social, a CGTP assinala, que, em novembro de 2025 a força de trabalho feminina era composta por 2.043.911 mulheres, das quais 58,7% recebia uma remuneração base até 1.000 euros brutos por mês. Ou seja, quase seis em cada dez.
Destas, “411 milhares auferiam apenas o salário mÃnimo nacional, no valor de 870 euros, representando 20,5% do total, ou seja, uma em cada cinco trabalhadoras”, acrescenta a central sindical.
Por sua vez, a percentagem de homens a ganhar até 1.000 euros brutos era menor (53,5% do total de 2.402.412 trabalhadores homens), segundo a análise feita com base nas declarações de remunerações à Segurança Social.
“No total, 80% das trabalhadoras recebiam no máximo 1.500 euros de salário base bruto [em novembro de 2025], ou seja, quatro em cada cinco trabalhadoras”, aponta ainda a CGTP.
Segundo o documento, o rendimento médio salarial lÃquido das mulheres era de 1.214 euros por mês no quarto trimestre de 2025, 14,4% inferior ao dos homens (menos 205 euros), que se situava em 1.419 euros.
Esta discrepância é mais evidente nas trabalhadoras com vÃnculos de trabalho precários, que recebem, “média, menos 20% que as trabalhadoras com vÃnculo permanente no caso dos contratos com termo e menos 33% no caso do falso trabalho independente”, realça a CGTP com base nos dados do INE.
“Este diferencial agrava-se nas qualificações mais elevadas”, aponta a CGTP, sublinhando que “existe uma diferença de 12% no salário base bruto em desfavor das mulheres — diminuindo ligeiramente em relação ao ano anterior – o que em valores absolutos corresponde a menos 166,5 euros mensais, e de 14,6% nos ganhos, num total de menos 248 euros recebidos pelas mulheres todos os meses”.
No que respeita aos quadros superiores, a “diferença é de 729 euros no salário base (um diferencial de 25,4%, que melhorou apenas ligeiramente face ao ano anterior)”, enquanto nos quadros médios “é de 15,6% (306 euros), tendo aumentando face a 2023, e de 14,3% entre os profissionais altamente qualificados (218 euros), melhorando ligeiramente face a 2023”, acrescenta a CGTP, com base nos dados dos quadros de pessoal de 2024, do GEP/MTSSS.
Quanto aos trabalhadores não qualificados, “o diferencial é de apenas 3,8% (..) devido à existência do salário mÃnimo nacional”.
A análise da CGTP concluiu ainda que este padrão se repete quando se analisam os ganhos, ainda que “com percentagens e valores ligeiramente superiores”.
Assim, “o diferencial aumenta mais entre os trabalhadores não qualificados, provavelmente por via do trabalho extraordinário que é realizado mais frequentemente por trabalhadores do sexo masculino”, acrescenta, sublinhando que os baixos salários “praticados de forma generalizada” em Portugal “não permitem fazer face à s despesas crescentes com que as trabalhadoras e as suas famÃlias têm que suportar, nomeadamente com bens essenciais e habitação, despesas a que não conseguem fugir ou diminuir”.
Segundo dados do INE, em 2025 “cerca de 140 mil trabalhadoras tinham uma segunda atividade profissional, correspondendo a 5,4% do total do emprego feminino” e “uma em cada dez trabalhadoras é pobre”, sendo que, para a CGTP, este número seria o dobro se não existissem transferências sociais.
A CGTP realiza a semana da igualdade entre 02 e 08 de março com o lema “A Igualdade que Abril abriu. Reforçar Direitos. Cumprir a Constituição”, com iniciativas no paÃs.
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