
Jerusalém, Israel, 16 fev 2026 (Lusa) — O Hamas acusou hoje Israel de impedir a circulação do número de pessoas estipulado no acordo de cessar-fogo pela passagem de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito, segundo um comunicado divulgado pelo grupo islamita.
“Apesar da reabertura da passagem de Rafah em ambos os sentidos após um encerramento arbitrário e injusto, a ocupação sionista [Israel] viola flagrantemente os mecanismos de abertura estipulados no acordo de cessar-fogo e comete abusos sistemáticos contra aqueles que regressam à Faixa de Gaza”, condenou o Hamas num comunicado.
De acordo com os extremistas palestinianos, as limitações imputadas a Israel colocam “em grave risco a vida de milhares de doentes e feridos”, que aguardam tratamento médico no estrangeiro.
O Hamas relatou também que os habitantes que regressaram ao enclave palestiniano foram sujeitos a “interrogatórios severos” e expostos a “danos físicos e psicológicos” por parte do exército israelita.
Em reação à agência de notícias EFE, o COGAT (entidade do Ministério da Defesa israelita responsável pelos assuntos civis nos territórios palestinianos) afirmou que as operações na passagem de Rafah continuam a seguir o acordo e os compromissos de Israel.
O COGAT indicou que cerca de 370 doentes e os seus acompanhantes saíram da Faixa de Gaza e um número semelhante de habitantes regressou ao território, desde a reabertura parcial de Rafah, no dia 02 de fevereiro.
A agência israelita acrescentou que a circulação depende da apresentação de listas de pessoas aprovadas pelas autoridades egípcias e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), bem como da capacidade operacional da passagem, a única no território que não comunica com Israel.
O gabinete de imprensa do Governo controlado pelo Hamas na Faixa de Gaza informou pelo seu lado que 455 pessoas saíram e outras 356 entraram ao enclave palestiniano.
A passagem estava fechada quando as tropas israelitas assumiram o controlo em maio de 2024 e foi reaberta no início do mês à circulação de pessoas de forma bastante limitada, no âmbito do cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em vigor desde 10 de outubro passado, apesar de sucessivas acusações mútuas de violação do acordo.
Os palestinianos que voltaram ao enclave nos últimos dias relatam assédio, interrogatórios e pressões por parte de Israel para impedir o seu regresso, bem como a apreensão de todos os seus bens, incluindo telemóveis, brinquedos e medicamentos, durante as ações de inspeção.
Previa-se que cerca de 200 pessoas usassem a passagem diariamente – 50 a entrar e 150 (50 doentes e 100 acompanhantes) a sair – mas os números são bastante mais baixos até agora.
Estão também muito aquém das necessidades de cerca de 18.500 pessoas que a OMS estimou que precisem de tratamento médico no exterior.
A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 72 mil mortos, segundo as autoridades locais, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
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