
Londres, 15 fev 2026 (Lusa) — O Museu Britânico, em Londres, retirou a palavra “Palestina” do percurso expositivo dedicado ao antigo Médio Oriente, na sequência de queixas sobre a sua utilização para descrever uma região e civilização, noticiou o jornal The Telegraph.
Segundo o jornal, hoje citado pelas agências internacionais, os mapas e painéis informativos do museu referentes ao antigo Egito e aos navegadores Fenícios tinham escrita a palavra “Palestina” para designar a costa oriental do Mediterrâneo, e alguns povos estavam descritos como “de ascendência palestiniana”.
O Museu Britânico decidiu fazer alterações no seguimento de uma carta que recebeu da associação UK Lawyers for Israel (Advogados do Reino Unido por Israel), segundo a qual “aplicar um único nome — Palestina — retrospetivamente a toda uma região, ao longo de milhares de anos, apaga as mudanças históricas e cria uma falsa ideia de continuidade”.
“Isto também tem o efeito agravante de apagar os reinos de Israel e da Judeia, que surgiram por volta de 1.000 a.C., e de reformular as origens dos israelitas e do povo judeu como erroneamente provenientes da Palestina. A terminologia escolhida nos itens descritos implica a existência de uma região antiga e contínua chamada Palestina”, sustentou a associação.
O The Telegraph lembrou que “Palestina” tornou-se um termo geográfico comum e neutro para designar a região sul do Levante em finais do século XIX, mas o Museu Britânico reconheceu agora que a palavra perdeu neutralidade.
“Para as galerias do Médio Oriente que exibem mapas de regiões culturais antigas, o termo ‘Canaã’ é aplicável para o sul do Levante, no final do segundo milénio antes de Cristo. Usamos a terminologia da Organização das Nações Unidas em mapas que mostram fronteiras modernas, por exemplo, Gaza, Cisjordânia, Israel, Jordânia, e referimo-nos a ‘palestiniano’ como um identificador cultural ou etnográfico”, afirmou uma fonte do museu.
De acordo com o jornal, o Museu Britânico está a rever outros painéis e legendas informativas, no âmbito de um plano de reconstrução e renovação da exposição, a implementar nos próximos anos.
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