
Daca, 13 fev 2026 (Lusa) — O Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP, na sigla em inglês) reivindicou hoje a vitória do movimento nas primeiras legislativas realizadas desde a queda do regime autoritário de Sheikh Hasina, em 2024.
“A vitória era esperada”, disse um dirigente do partido, Salahuddin Ahmed, apesar de ainda não haver resultados oficiais.
“Não é surpresa que o povo do Bangladesh tenha depositado a sua confiança num partido pró-Bangladesh (…) e capaz de realizar os sonhos expressos pela nossa juventude durante os protestos”, acrescentou.
De acordo com projeções das televisão locais, divulgadas às 07:30 (01:30 em Lisboa), o BNP conquistou 212 lugares no parlamento.
A aliança formada pelo partido islâmico Jamaat-e-Islami e pelo Partido Nacional Cidadão, que surgiu dos protestos generalizados do verão de 2014, terá conquistado 70 lugares, também segundo projeções.
De acordo com a imprensa do Bangladesh, os resultados já tinham sido contados em 288 dos 299 círculos eleitorais do país asiático.
No entanto, a comissão eleitoral ainda não tinha anunciado qualquer resultado oficial.
A aliança liderada pelo Jamaat-e-Islami apresentou uma queixa à comissão eleitoral alegando irregularidades durante o processo.
A embaixada dos Estados Unidos em Daca enviou uma ao BNP, felicitando o partido pelo que descreveu como uma “vitória histórica” nas eleições legislativas de quinta-feira.
“Parabéns ao povo do Bangladesh por esta eleição vitoriosa e ao Partido Nacionalista do Bangladesh e a [o líder do movimento] Tarique Rahman pela sua vitória histórica”, escreveu a embaixada, numa mensagem, em bengali, publicada nas redes sociais.
Mesmo antes do fecho das urnas, na quinta-feira, Rahman já tinha manifestado a confiança à imprensa: “Vencerei as eleições (…) teremos maioria suficiente para governar o país com tranquilidade”.
Rahman, de 60 anos, regressou em dezembro de 17 anos de exílio no Reino Unido, para suceder à mãe, Khaleda Zia, que foi primeira-ministra durante três mandatos, como líder do BNP.
O Bangladesh realizou na quinta-feira eleições legislativas e um referendo constitucional num clima festivo e sem mortes.
Apesar de incidentes isolados, como a explosão de um dispositivo caseiro de baixa potência que feriu três pessoas, autoridades e partidos políticos descreveram o dia como maioritariamente pacífico.
A contagem dos votos nas legislativas e no referendo sobre a reforma constitucional definirá o fim do Governo interino de Muhammad Yunus.
O Prémio Nobel da Paz assumiu o cargo após a demissão de Hasina, em resultado de protestos contra um sistema de quotas que reservava mais de metade de todos os empregos do setor público para familiares de veteranos de guerra.
Hasina, que fugiu para a Índia em 2025, foi condenada à morte à revelia por crimes contra a humanidade por ter ordenado a repressão dos protestos, que fizeram quase 1.400 mortos, segundo dados das Nações Unidas.
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