
BrasÃlia, 12 fev 2026 (Lusa) – A justiça brasileira e duas agências nacionais ordenaram que a rede social X “implemente imediatamente” medidas “para impedir” a geração de imagens de caráter sexual pela ferramenta de inteligência artificial Grok.
A X deve “implementar imediatamente as medidas adequadas para impedir a produção, com a ajuda do Grok, de conteúdos sexualizados ou erotizados envolvendo crianças e adolescentes, bem como adultos que não deram o seu consentimento”, indicaram, na quarta-feira, procurador-geral do Brasil, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e o Serviço Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon).
As agências deram cinco dias à plataforma do bilionário Elon Musk para cumprir a ordem, sob pena de processos judiciais e multas.
A rede social X afirmou ter removido milhares de publicações e suspendido centenas de contas depois de o Brasil emitir uma advertência, em janeiro, de acordo com as autoridades brasileiras.
Mas os utilizadores do Grok ainda podem gerar imagens de caráter sexual, acrescentaram, criticando a X pela “falta de transparência na sua resposta”.
No final de 2025 e inÃcio de 2026, o robô conversacional respondia com fotos geradas por IA à s mensagens de utilizadores que lhe pediam para despir ou “colocar em biquÃni” celebridades, mas também pessoas comuns, na grande maioria mulheres.
Perante a indignação suscitada pela proliferação destas imagens, foram iniciados processos pelas autoridades de França, Reino Unido e mesmo da União Europeia.
O acesso à rede social foi mesmo suspenso ou bloqueado por vários paÃses do Sudeste Asiático (Malásia, Indonésia e Filipinas), antes de ser restabelecido.
A plataforma anunciou finalmente, em meados de janeiro, que iria bloquear a geração de imagens de nudez de pessoas reais “nas jurisdições onde isso é ilegal”.
Inicialmente, a X tinha restringido essa possibilidade, permitindo apenas a geração deste tipo de imagens aos utilizadores que pagam para utilizar a rede social.
A implementação efetiva desse bloqueio permanece incerta.
De acordo com um estudo da organização não-governamental CCDH, que frequentemente denuncia as práticas da rede X, o Grok gerou cerca de três milhões de imagens sexualizadas de mulheres e crianças num perÃodo de apenas 11 dias, ou seja, uma média de 190 imagens por minuto.
Em 2024, o acesso à X foi temporariamente suspenso pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil por incumprimento de decisões relacionadas com a luta contra a desinformação.
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