Autoproclamado pastor queniano acusado de mais 52 mortes ocorridas em 2025

Nairobi, 11 fev 2026 (Lusa) – Um autoproclamado pastor de uma seita religiosa, acusado da morte de centenas de fiéis em 2023, vai ser acusado por mais 52 mortes ocorridas no ano passado no Quénia, anunciou hoje o Ministério Público (MP).

O queniano Paul Nthenge Mackenzie, detido desde abril de 2023 e já acusado de homicídio, homicídio involuntário e radicalização, no primeiro processo, foi novamente acusado por factos que terão provocado a morte de pelo menos 52 pessoas, indicou o MP queniano na rede social X.

O MP já tinha indicado, a 26 de janeiro, que “existem indícios razoáveis contra Mackenzie, considerado o instigador e supervisor da prática das infrações, tendo utilizado ensinamentos radicais para atrair vítimas para o local isolado de Binzaro”.

Quando o caso de Shakahola começava a perder impacto e o Quénia acreditava que a seita tinha desaparecido, um fiel escapou, em julho, da zona de Binzaro, onde, segundo afirmou, alguns dos seus filhos tinham morrido.

Em Binzaro – uma pequena localidade situada a cerca de 30 quilómetros da floresta de Shakahola, onde ocorreu o primeiro massacre – cerca de 34 cadáveres e 102 partes de corpos em vários estados de decomposição foram exumados ao longo de vários meses, a partir de julho de 2025.

Durante a sessão de hoje, oito pessoas compareceram em tribunal, entre as quais Mackenzie e a alegada instigadora do segundo massacre, Sharleen Temba Anido.

Os arguidos foram acusados de participação em atividade criminosa organizada, radicalização, cumplicidade em ato terrorista e homicídio involuntário.

De acordo com o MP, entre janeiro e julho de 2025, os Mackenzie e Anido eram membros de uma seita religiosa radicalizada que colocava em risco a vida dos seus fiéis, provocando a morte de pelo menos 52 pessoas em Binzaro.

Declararam-se inocentes e deverão voltar a tribunal a 04 de março.

O caso Shakahola, de onde foram exumados 450 restos mortais, provocou um forte trauma num país maioritariamente cristão, onde proliferam pequenas Igrejas evangélicas com escassa supervisão.

As vítimas terão seguido o autoproclamado pastor para a região da floresta e foram incitadas a jejuar até à morte para “encontrarem Jesus” antes do “fim do mundo”, anunciado para esse ano.

 

NYC // JMC

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