Dinamarca promete “contribuição substancial” para nova missão da NATO no Ártico

Copenhaga, 11 fev 2026 (Lusa) – A Dinamarca prometeu hoje uma “contribuição substancial” para a nova missão da NATO no Ártico e defendeu a necessidade de garantir a integração da região nos planos de exercícios a longo prazo da Aliança.

“Iremos dar uma contribuição substancial”, disse num comunicado o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, referindo que o apoio será definido em coordenação com os restantes países aliados.

A missão, denominada “Arctic Sentry” (Sentinela do Ártico), surge como uma iniciativa para demover o Presidente norte-americano, Donald Trump, da intenção de se apoderar da Gronelândia, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).

A Gronelândia é um território autónomo da Dinamarca, país que faz parte da NATO, a sigla por que é conhecida a Organização do Tratado do Atlântico Norte.

“Devemos manter esta dinâmica para garantir que o Ártico seja tido em conta a longo prazo nos planos e exercícios da NATO”, defendeu o ministro dinamarquês.

A nova missão da NATO vai integrar o exercício “Arctic Endurance”, liderado por Copenhaga, o que irá “reforçar consideravelmente” o flanco norte da Aliança e da Dinamarca, considerou o comandante das forças dinamarquesas.

“O objetivo é demonstrar a capacidade de dissuasão da NATO na parte norte da zona de responsabilidade da Aliança”, disse o general Michael Wiggers Hyldgaard, citado no mesmo comunicado.

Também a Finlândia, que partilha uma fronteira de 1.340 quilómetros com a Rússia, saudou a iniciativa da NATO.

“É importante para a Finlândia que a NATO disponha de uma dissuasão e de uma defesa sólidas na região ártica e que seja capaz de responder, em particular, à ameaça russa”, afirmou o Ministério da Defesa finlandês.

O ministério alertou ainda que a China procura reforçar o seu papel na região.

O ministro da Defesa finlandês, Antti Hakkanen, já tinha antecipado à AFP na terça-feira que esperava uma “discussão rigorosa no seio da NATO” sobre a forma e a dimensão da participação dos países aliados no Ártico.

A NATO anunciou que a nova missão foi decidida após um encontro entre Donald Trump e o secretário-geral da organização, Mark Rutte, em Davos, na Suíça, em janeiro.

Na ocasião, “os dois líderes concordaram que a NATO deveria assumir coletivamente mais responsabilidades” na região, face às pretensões russas e ao “interesse crescente” da China, segundo um comunicado do comando supremo das forças aliadas na Europa.

A Rússia reagiu ao anúncio, declarando que tomará contramedidas, incluindo de “natureza militar”, caso os países ocidentais reforcem a presença militar na Gronelândia.

A nova operação, inspirada nos modelos lançados no mar Báltico ou no flanco oriental da NATO, era uma das opções evocadas para reforçar a segurança no Ártico, uma das razões citadas por Trump para querer anexar a Gronelândia.

Trump renunciou, entretanto, à intenção de se apoderar pela força da ilha, um território autónomo da Dinamarca, país membro da NATO.

As ameaças de Trump relativas à Gronelândia provocaram uma das crises mais graves da história da Aliança Atlântica, fundada em 1949.

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