
Luanda, 10 fev 2026 (Lusa) — Um novo complexo industrial integrado em Angola – dedicado à refinação, transformação e embalamento de óleos vegetais, gorduras e ingredientes alimentares -, com capacidade para produzir 110.000 toneladas/ano, vem potenciar a produção local e reduzir importações, segundo a empresa.
A Rafinole – fábrica de refinação de óleos vegetais, a funcionar há quatro meses e com inauguração prevista para fim de fevereiro, surge para “reforçar a produção local e reduzir a dependência de importações”, disse hoje o seu diretor-geral, José Oliveira.
Localizada no município do Hoji-ya-Henda, em Luanda, a unidade industrial, instalada numa área de cerca de 50.000 metros quadrados, está em operação desde setembro de 2025 e hoje recebeu a visita de um grupo de jornalistas.
A unidade, que gerou 400 empregos diretos — 95% de mão de obra angolana — conta com uma capacidade de produção de 18.000 toneladas/ano de margarina e gordura, 7.000 toneladas/ano de maionese e molhos e 110.000 toneladas/ano de óleos vegetais.
A força de trabalho da Rafinole é maioritariamente jovem e é esta que opera nas linhas de produção, embalagem e armazenamento dos produtos, constataram os jornalistas numa visita conduzida pela direção da empresa às várias secções da fábrica.
Pelo menos quatro linhas de produção com alta tecnologia compõem o organograma laboral do complexo industrial, sobretudo no segmento de engarrafamento de óleos alimentares: são duas linhas de um litro, uma de cinco e três litros e outra de 20 litros, que totalizam 12.000 garrafas por hora.
As valências desta unidade industrial do setor alimentar foram assinaladas por José Oliveira que, sem revelar o volume global do investimento, deu conta que, além do consumidor final, a fábrica potencia também outras indústrias em Angola.
“A fábrica já começou a trabalhar desde o mês de setembro, encontra-se em operação e atualmente estamos a abastecer o mercado nacional por diversos distribuidores e também há indústrias que utilizam os nossos produtos para desenvolver outros como a margarina, bolachas, maionese”, disse.
Segundo o gestor, a fábrica surge igualmente para fornecer produtos à indústria local, que anteriormente recorria a importações, considerando que a sua operação também potencia o mercado nacional, perspetivando, ao longo do processo, produzir localmente a matéria-prima, que ainda é importada.
“A longo prazo perspetivamos começar a produzir a matéria-prima em Angola, mas tudo depende do processo de desenvolvimento do mercado angolano e também da agricultura”, disse, assinalando que, além dos 400 empregos diretos, a unidade criou ainda quase 2.000 empregos indiretos.
José Oliveira salientou que as mulheres também têm presença ativa na direção da empresa, com uma taxa de 40%, ligadas sobretudo à logística e às finanças, estando ainda presentes no setor da produção, como Estrela da Silva, que aí conseguiu o primeiro emprego.
Mãe e dona de casa, Estrela é auxiliar de produção na Rafinole: “É o meu primeiro emprego no ramo da indústria alimentar, tem sido muito prazeroso, é um desafio constante (…) e temos trabalhado todos os dias para meter óleo na mesa dos angolanos”, disse.
Com seis docas de expedição (para despacho de produtos acabados em camiões), a produção, cujas embalagens são 100% de produção local, chega a todas as províncias de Angola por via da Angolalissar.
Gustavo Domingues, diretor industrial da Rafinole, assegurou que todas as máquinas estão instaladas e operam em alta tecnologia e que todos os produtos são manufaturados à luz das normas e padrões internacionais de qualidade.
A fábrica, cuja matéria-prima, soja e palma, são importados maioritariamente da América Latina, opera atualmente com quase 80% da sua capacidade.
“Estão ainda alguns processos em fase de desenvolvimento e temos planos para ampliação futura”, notou o gestor.
DAS // MLL
Lusa/Fim
