
Maputo, 09 fev 2026 (Lusa) — A Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) de Moçambique alertou hoje que cerca de um milhão de pessoas poderão ser afetadas pelo ciclone em formação que poderá atingir o Canal de Moçambique em 12 de fevereiro.
Ao apresentar as estimativas dos impactos das chuvas e ventos fortes que poderão chegar com a tempestade tropical “Gezani”, que se prevê que evolua para ciclone, o diretor Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, Agostinho Vilanculo, avançou que este evento extremo poderá atingir as zonas costeiras das províncias de Gaza e Inhambane, no sul, e Sofala, no centro.
Espera-se ainda que afete certa de 1.600 unidades sanitárias, além de 600 quilómetros de rede elétrica, adiantou o responsável.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) moçambicano alertou antes que um ciclone tropical em formação no oceano Índico poderá atingir o Canal de Moçambique na quinta-feira, 12 de fevereiro, sem constituir ainda perigo para a parte continental.
Em comunicado, o Inam referiu que a perturbação tropical que se formou no oceano Índico evoluiu para depressão tropical, sendo que até sexta-feira caracterizava-se por ventos médios de 55 quilómetros por hora e rajadas de até 75 quilómetros por hora, deslocando-se em direção a sudoeste a 15 quilómetros por hora.
Hoje, a direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos alertou também para o risco de seis bacias hidrográficas de Inhambane, Gaza e Sofala transbordarem face à tempestade que se avizinha.
“Ainda não estamos numa situação de stress total, mas este é o cenário que se avança. Se formos a receber precipitações com magnitude acima de 200 milímetros em 24 ou 48 horas podemos voltar a ter a cidade de Xai-Xai (no sul de Moçambique) numa situação de stress”, disse Agostinho Vilanculo.
O ministro moçambicano das Obras Públicas, Recursos Hídricos e Habitação, Fernando Rafael, também avisou que cerca de um milhão de pessoas poderão ser afetadas por este evento extremo e que o evento vai “impactar ainda mais (…) infraestruturas como escolas e hospitais”, salientando que o país ainda está em alerta vermelho.
“O mês de fevereiro é um mês crítico em termos de impacto da época chuvosa, qualquer regresso das famílias às suas casas deve ser de forma cautelosa, e continue a avaliar as informações publicadas pelo Governo”, disse o ministro moçambicano, apelando a que as comunidades fiquem preparadas.
O número de mortos nas cheias de janeiro em Moçambique subiu para 27, com 724.131 afetados, de acordo com o INGD, com 147 feridos e nove desaparecidos, além de 3.556 casas parcialmente destruídas, 428 totalmente destruídas e 1.66.895 inundadas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas, desde 07 de janeiro, 227 unidades sanitárias e 299 escolas, 14 pontes e 3.783 quilómetros de estrada.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as cheias de janeiro, há registo de 201 mortos, além de 291 feridos e de 852.019 pessoas afetadas, segundo os dados do INGD.
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