Maquinistas espanhóis desconvocam greve marcada após acidentes ferroviários

Madrid, 09 fev 2026 (Lusa) – Os sindicatos dos maquinistas espanhóis desconvocaram hoje a greve de três dias que arrancou esta segunda-feira, convocada após os acidentes ferroviários em que morreram 47 pessoas, anunciaram dirigentes sindicais no final de uma reunião com o Governo.

Segundo os sindicatos ferroviários (que representam maquinistas e outros profissionais), foi alcançado um acordo na reunião com o Ministério dos Transportes que decorreu em Madrid, a quarta desde que foi anunciada a greve geral de maquinistas.

Foi alcançado um “acordo histórico” que integra 25 compromissos por parte do Governo, destacando-se um aumento de 50% dos meios destinados a manutenção das infraestruturas ferroviárias, assim como reforço de pessoal e outras medidas com vista a melhorar a segurança, disse aos jornalistas o secretário-geral do sindicato Semaf (que representa 85% dos maquinistas de Espanha), Diego Martín.

Fontes do Ministério dos Transportes citadas pela agência de notícias EFE confirmaram o princípio de acordo anunciado pelos sindicados.

A greve foi inicialmente anunciada pelo Semaf e juntaram-se depois outros sindicatos, pelo que a paralisação abrangia todos os profissionais do setor e todo o tipo de serviços de transporte por comboio (de passageiros e mercadorias).

O Semaf disse hoje durante a manhã que a adesão à greve por parte dos maquinistas era de 100%.

Já a empresa pública Renfe, uma das operadoras de comboios em Espanha, disse que a adesão à greve era de 11,6% no turno da manhã e que se estavam a cumprir 80% dos serviços mínimos, alertando para “alguns cancelamentos e atrasos”.

Foram decretados serviços mínimos de 75% de comboios suburbanos nas horas de ponta e 50% no resto do dia.

Na alta velocidade e longa distância, os serviços mínimos eram de 73%, na média distância de 65% e nas mercadorias 21%.

Só a empresa Renfe tinha já cancelado para os três dias de greve 330 comboios de alta velocidade.

A greve geral nos comboios espanhóis foi convocada depois dos acidentes de 18 janeiro, em Adamuz, Córdova, Andaluzia, no sul do país, e de 20 de janeiro, na Catalunha, no nordeste Espanha.

No primeiro, que envolveu dois comboios de alta velocidade, morreram 46 pessoas, e no segundo morreu um maquinista de um serviço suburbano.

Após os acidentes, em 21 de janeiro, o sindicato de maquinistas Semaf anunciou uma greve geral para reivindicar garantias de segurança na rede ferroviária de Espanha.

O sindicato considerou “inadmissível a deterioração” da rede ferroviária espanhola e pediu medidas urgentes, assim como que sejam responsabilizadas penalmente “as pessoas encarregadas de garantir a segurança da infraestrutura”.

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