
Londres, 08 fev 2026 (Lusa) — O antigo príncipe André partilhou, em 2010 e 2011, informações confidenciais do seu trabalho como enviado comercial do Reino Unido com o financeiro norte-americano e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, segundo documentos divulgados nos Estados Unidos.
Com base nesses documentos, a BBC noticiou hoje que uma série de e-mails mostra que André, despojado dos títulos pelo rei Carlos III em outubro passado devido aos seus laços com o magnata, enviou a Epstein detalhes das suas viagens oficiais a Singapura, Vietname, Shenzhen e Hong Kong, bem como relatórios dessas visitas elaborados pelo seu assistente, Amit Patel, pouco depois de os receber.
Enviou ainda ao empresário, que morreu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores, informações sobre oportunidades de investimento no Afeganistão, que seriam supervisionadas pelas forças britânicas e financiadas pelo Governo do Reino Unido.
O ex-Duque de York, que atuou como enviado comercial do seu país entre 2001 e 2011, não respondeu às tentativas de contacto da estação, embora já tenha negado outras acusações referentes à sua ligação ao milionário.
A BBC refere que uma das mensagens sobre as suas atividades oficiais é datada de cerca do Natal de 2010, apesar de Andrew Mountbatten-Windsor, como é conhecido hoje, ter declarado numa entrevista de 2019 que tinha rompido todos os laços com Epstein no início de dezembro desse ano.
Noutro e-mail, datado de 09 de fevereiro de 2011, o segundo filho da Rainha Isabel II sugere ao seu amigo que invista numa empresa de capital privado que tinha visitado recentemente, segundo a estação pública.
Estas revelações aumentam a pressão sobre o ex-príncipe, que já foi acusado de manter relações sexuais com mulheres facilitadas por Epstein. E-mails divulgados este domingo indicavam também que, em setembro de 2010, convidou o pedófilo norte-americano e uma mulher romena descrita como “muito bonita” para um jantar privado no Palácio de Buckingham.
Nos últimos meses, as fotos de André com várias jovens também vieram a público.
O antigo duque afastou-se da vida pública em 2019 devido à pressão social pela sua amizade com Epstein, que se intensificou quando, em 2025, a norte-americana Virginia Giuffre publicou um livro de memórias onde detalha como o então príncipe abusou dela em pelo menos três ocasiões quando era menor de idade.
O irmão do rei, que nega as acusações, chegou a um acordo milionário em 2022 com Virginia Giuffre — que se suicidou em abril passado, aos 41 anos — em troca da retirada do processo civil.
Além de lhe retirar os títulos, Carlos III ordenou-lhe que se mudasse na passada segunda-feira da sua mansão no Castelo de Windsor, nos arredores de Londres, para uma residência na propriedade privada do soberano em Sandringham, no leste de Inglaterra.
FP // MLL
Lusa/fim
