
Praia, 08 fev 2026 (Lusa) — A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) melhorou o ‘rating’ de Cabo Verde para B+, devido ao progresso fiscal e externo, atribuindo uma “perspetiva positiva”, numa nota datada de sexta-feira e consultada hoje pela Lusa.
“Elevámos a nossa classificação de longo prazo de B para B+ e reafirmamos a nossa classificação de curto prazo em B para Cabo Verde”, escreveu a agência, que tinha melhorado a classificação de B- para B em agosto de 2024.
“O forte fluxo de turismo e de remessas está a impulsionar o rápido crescimento económico de Cabo Verde e a sustentar a melhoria da sua posição externa e fiscal”, justificou.
A S&P espera que Cabo Verde “registe excedentes primários do governo geral (excluindo pagamentos de juros) nos próximos três anos, facilitando novas reduções no rácio dívida/PIB”.
As empresas estatais são consideradas “passivos contingentes para o Estado”, embora a agência os considere “controláveis”.
“[O perfil da dívida pública], maioritariamente concessional, de longo prazo e de baixo custo, e o crescimento económico relativamente elevado sustentam a melhoria da classificação de risco — prevemos que o custo médio dos pagamentos de juros da dívida pública de Cabo Verde seja de 6,6% das receitas no período 2026-2029, um dos mais baixos em África e muito abaixo do crescimento nominal do PIB”, apontou.
A agência de notação financeira abordou a situação política no arquipélago, referindo que as eleições legislativas de maio de 2026 e as eleições presidenciais de novembro apresentam “alguma incerteza, prevendo-se uma disputa renhida entre o Movimento para a Democracia (MpD), no poder, e o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), da oposição”.
“Este último defende uma maior intervenção estatal e mais gastos sociais, mas o sólido quadro institucional do país garante transições estáveis e normalmente não implica grandes mudanças radicais de política”, escreveu a S&P.
Em antevisão, prevê-se “um crescimento médio do PIB real per capita de 4,3% entre 2026 e 2029, superior ao de muitos países comparáveis”, apesar de, aos olhos da agência de ‘rating’, “a escassez de competências profissionais, a falta de interligação entre as ilhas e o fornecimento limitado de água e eletricidade” representarem “obstáculos estruturais” à economia.
As vulnerabilidades externas de Cabo Verde “continuam a diminuir”, acrescentou, depois de registado “um excedente na balança corrente de 3,8% do PIB em 2024 e estimando-se que a tendência se tenha mantido em 2025 com um excedente de 3,3%, os primeiros em quase quatro décadas”.
LFO // ROC
Lusa/Fim
