
Nampula, Moçambique, 08 fev 2026 (Lusa) — As autoridades sanitárias na provÃncia moçambicana de Nampula, norte do paÃs, admitiram que a desinformação sobre cólera é uma barreira no combate à doença, com as comunidades a perseguirem e a apedrejar os agentes que trabalham na sensibilização.
“São uma barreira, vamos assim dizer, para a implementação plena das polÃticas de saúde. É preciso reconhecer que, infelizmente, os atores comunitários, como são os casos dos lÃderes comunitários, os ativistas e os agentes polivalentes têm sido perseguidos nas comunidades, têm sido apedrejados”, disse o médico chefe provincial, Geraldino Avalinho, citado hoje pela comunicação social.
Em causa estão as recorrentes perseguições aos ativistas e profissionais de saúde naquela provÃncia do norte de Moçambique face à desinformação sobre cólera, com as comunidades a alegarem que estes grupos são causadores da doença, quando uma nova vaga já soma mais de 1.800 casos em Nampula, preocupando as autoridades da saúde que recorrem à s igrejas para sensibilizar.
“A única forma de conseguirmos fazer chegar as mensagens ao nÃvel da comunidade é por intermédio das igrejas, de mesquitas, pelo que temos uma organização chamada COREM [Conselho de Religiões e Paz de Moçambique] que é uma rede interreligiosa, que nos seus momentos forma alguns atores religiosos, para, no contexto da prevenção das doenças, com destaque para cólera, essas mensagens chegarem à s comunidades”, disse Avalinho.
Na sexta-feira, a Lusa noticiou que Moçambique registou 473 novos casos de cólera e dois mortos nos primeiros quatro dias de fevereiro, somando 61 óbitos desde o inÃcio deste surto, em setembro, segundo dados de boletins oficiais.
De acordo com o último boletim da doença, da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados de 03 de setembro a 04 de fevereiro, do total de 4.340 casos de cólera contabilizados neste perÃodo, 1.832 foram na provÃncia de Nampula, com um acumulado de 23 mortos, 1.692 em Tete, com 28 óbitos, e 700 em Cabo Delgado, com oito mortos.
No balanço anterior, até 31 de janeiro, registavam-se 3.867 casos de cólera neste surto, com 59 mortos.
Só nas 24 horas anteriores ao fecho do último balanço foram registados 110 novos casos, bem como um abandono, de um doente internado. No dia 04 de fevereiro estavam internados 57 doentes e 53 em ambulatório.
O surto está ativo atualmente nos distritos de Marara, Tsangano, Moatize, Changara, Cahora Bassa e Tete, na provÃncia de Tete, em Guro, provÃncia de Manica, e Morrumbala, na Zambézia, centro do paÃs. Ainda em Eráti e Memba, na provÃncia de Nampula, e Montepuez, Metuge, Pemba e Mecufi, em Cabo Delgado, no norte.
No surto de cólera anterior, com dados da Direção Nacional de Saúde Pública de 17 de outubro de 2024 a 20 de julho de 2025, registaram-se 4.420 infetados, dos quais 3.590 na provÃncia de Nampula, e um total de 64 mortos.
As autoridades moçambicanas anunciaram antes que pretendiam vacinar, até hoje, contra a cólera, mais de 1,7 milhões de pessoas em cinco distritos de quatro provÃncias do paÃs, casos de Niassa, Cabo Delgado, Zambézia e Sofala.
Pelo menos 169 pessoas morreram em 2025 em Moçambique devido à cólera, entre cerca de 40 mil casos, avançou em 10 de dezembro o ministro da Saúde, Ussene Isse, pedindo às comunidades respeito pelas medidas de higiene individual e coletiva.
O Governo de Moçambique quer eliminar a cólera “como um problema de saúde pública” no paÃs até 2030, conforme o plano aprovado em 16 de setembro em Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).
PME (PVJ) // CSJ
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