
Peso da Régua, Vila Real, 07 fev 2026 (Lusa) – O primeiro-ministro, Luís Montenegro, disse hoje que o país está concentrado na resposta imediata, na prevenção e na reconstrução dos estragos causados pelo mau tempo numa perspetiva alargada a todo o território nacional.
“Nós temos um programa que neste momento é específico dos municípios que tiveram o maior impacto da depressão Kristin e que estão na situação de calamidade, mas evidentemente que não vamos desproteger, nem vamos deixar de acompanhar tudo o resto que é preciso fazer em todo o território nacional”, afirmou aos jornalistas, após uma visita ao Peso da Régua, cidade do distrito de Vila Real que está em alerta para cheias devido à subida do caudal do rio Douro.
Mas, para além das cheias, contabilizam-se ainda prejuízos em derrocadas, quedas de muros e aluimentos de estradas em concelhos do Douro que ficaram de fora dos apoios extraordinários anunciados pelo Governo e que já pediram ao executivo para reavaliar a decisão.
Luís Montenegro, que fez a visita debaixo de chuva intensa, realçou que todas as situações de risco que estão a acontecer no país, como as cheias nas bacias do Tejo, Mondego ou do Sado, precisam de uma “resposta imediata”, salientando que é preciso “avisar as populações, evitar perigos excessivos” e “olhar para o futuro” e “prevenir os próximos dias” para se “estar à altura de poder responder a situações de maior pressão”.
“E começarmos e executarmos a reconstrução do país. Neste momento não é apenas a reconstrução da zona centro, que é de facto a zona que ficou mais fustigada pela depressão Kristin, mas nós temos neste momento necessidade de alargar uma perspetiva de recuperação a todo o território nacional”, salientou.
Adiantou ainda que, segundo dados de hoje, mais de 1.650 empresas já recorreram às linhas de crédito que estão abertas para a tesouraria e para a reconstrução num montante que está praticamente a atingir os 400 milhões de euros.
Cerca de 1.200 famílias apresentaram a candidatura à ajuda para a reconstrução das suas casas e cerca de 8.000 pessoas já interagiram com a plataforma nos movimentos preparatórios para consumar essa candidatura.
Apontou ainda para mais de 1.400 agricultores já apresentaram candidaturas para a recuperação dos efeitos das últimas tempestades.
“E, portanto, temos um trabalho que está direcionado a recuperar aquilo que já aconteceu. Temos um trabalho que está absolutamente concentrado na emergência daquilo que está a acontecer neste momento, está a acontecer um pouco por todo o país, que não se esgota apenas nas cheias e nas inundações”, frisou o primeiro-ministro.
Luís Montenegro apontou ainda para situações de saturação de solos, de estragos em estruturas públicas e privadas.
“Eu hoje já vi aqui na Régua casas que ruíram, partes de casas que ruíram, estradas que abriram fissuras e que estão interrompidas”, descreveu.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
PLI // MCL
Lusa/Fim
