
Maputo, 06 fev 2026 (Lusa) – O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) moçambicano alertou hoje para a formação de um sistema de baixa pressão no oceano Índico, que se encontra no estágio de perturbação tropical, admitindo que poderá evoluir para ciclone.
“Este sistema tem potencial de evoluir, podendo atingir estágio de ciclone tropical nos próximos dias”, refere-se num aviso emitido pelo Inam, que garante estar a monitorizar este sistema, admitindo que “ainda não constitui perigo” para o canal de Moçambique ou para a parte continental do país.
O sistema apresentava na quinta-feira ventos com rajadas até 75 quilómetros por hora, deslocando-se na direção sudoeste com uma velocidade de 15 quilómetros por hora, acrescenta-se.
Só entre dezembro e março, na anterior época das chuvas, Moçambique foi atingido por três ciclones, incluindo o Chido, o primeiro e mais grave, no final de 2024, com registo de quase 200 mortos.
Este alerta do Inam surge numa altura em que o país, ainda a meio da época chuvosa e ciclónica, se debate com as consequências das cheias de janeiro, em que o número de mortos subiu quinta-feira para 25, com 724.385 afetados, de acordo com dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Segundo informação da base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso e com informação até às 14:30 (12:30 de Lisboa), as cheias que se registam em vários pontos de Moçambique já afetaram o equivalente a 170.392 famílias.
Desde 07 de janeiro, foram registados ainda 147 feridos e nove desaparecidos na sequência destas cheias, além de 3.587 casas parcialmente destruídas, 885 totalmente destruídas e 166.081 inundadas, agravando os números anteriores.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as cheias de janeiro, há registo de 191 mortos, além de 291 feridos e de 845.144 pessoas afetadas, segundo os dados do INGD.
Em 16 de janeiro, o Governo decretou o alerta vermelho nacional.
De acordo com os dados atualizados, estão atualmente ativos 77 centros de acomodação, com 78.407 pessoas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas, desde 07 de janeiro, 229 unidades sanitárias e 323 escolas, 14 pontes e 3.783 quilómetros de estrada.
No registo do INGD aponta-se também para 440.906 hectares de área agrícola afetados, dos quais 275.405 dados como perdidos, atingindo a atividade de 314.783 agricultores, além da morte de 412.446 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão, China e Alemanha, além de países vizinhos, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência.
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