Meia centena de museus e monumentos danificados em 20 concelhos do país

Lisboa, 04 fev 2026 (Lusa) — Danos nas coberturas, em pavimentos e instalações elétricas, inundações e derrocadas são as consequências mais recorrentes da tempestade Kristin em monumentos e museus de perto de 20 concelhos do país, revelou hoje à agência Lusa fonte do Ministério da Cultura.

A “destruição total” da Charolinha da Mata dos Sete Montes, junto ao Convento de Cristo, em Tomar, e de complexos arqueológicos do Forte Novo, em Loulé, estão entre os casos mais severos dos 45 sinalizados em museus, monumentos, sítios ou igrejas nos concelhos de Aveiro, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Estremoz, Figueira da Foz, Leiria, Lisboa, Loulé, Montalvão, Nisa, Penela, Pombal, Santa Comba Dão, Tomar, Torres Novas, Ansião, Alvaiázere e Ferreira do Zêzere.

Os dados estão incluídos no balanço do impacto do temporal que afetou o país, realizado pelo Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, com base em relatórios provisórios do Património Cultural — Instituto Público (PC-IP) e da empresa pública Museus e Monumentos de Portugal (MMP), que mantêm equipas no terreno para manterem atualizado o levantamento de danos provocados pela tempestade e pela precipitação que desde então se seguiu.

As obras de recuperação deverão exigir um investimento de cerca de 20 milhões de euros, segundo a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, em declarações feitas na terça-feira, durante uma visita a zonas afetadas da Região Centro.

De acordo com o relatório da MMP sobre o impacto da tempestade Kristin, monumentos como o Mosteiro da Batalha e o Mosteiro de Alcobaça, ambos Património Mundial da Humanidade, vão necessitar de obras de recuperação de coberturas, reparação e restauro de cantarias danificadas, verificação de instalações elétricas e inclusão de gerador de emergência, corte e remoção de árvores e limpeza geral.

Em Alcobaça é também necessário o restauro de um vitral. O mesmo acontece com o Convento de Cristo, em Tomar — outro monumento classificado como Património Mundial –, que terá de ser alvo da reparação e restauro de pináculos e gárgulas, assim de coberturas com substituição de telhas e verificação de rufos.

Com a mesma classificação patrimonial, o Palácio Nacional de Mafra necessita da reparação de coberturas, substituição de vãos cujas madeiras não resistiram ao mau tempo, reparação de redes de tubagens pluviais e de descarga e dos pavimentos em madeira.

O Museu Nacional de Conímbriga apresenta uma das mais extensas listas de intervenções necessárias, entre a remoção do telhado de fibrocimento (amianto), quebrado pela queda de uma árvore, a demolição da infraestrutura da Oficina de Mosaicos (cujo conteúdo será removido e preservado em tenda industrial) e sua construção; a reparação da cobertura da Casa dos Repuxos, de contentores de ruínas e o restauro de coberturas de zonas escavadas que ficaram inundadas, além da reparação de exteriores, do piso de estacionamento e do corte de árvores.

O Museu Nacional Machado Castro, em Coimbra, necessita de revisão e fixação mecânica de todas as chapas da forra do imóvel, substituição de vidros partidos de claraboias, a par da reparação de coberturas. O Museu de Cerâmica – Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, também precisa de coberturas, do abate, corte e limpeza de árvores caídas e do seu transporte.

Quanto ao relatório provisório de danos da tempestade Kristin, realizado pelo Património Cultural, inclui, em Coimbra, a Sé Nova, com danos nas coberturas, a Sé Velha, no lanternim e nas coberturas, assim como a Igreja de São Bartolomeu, a Igreja de Santa Justa, o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, o Jardim Botânico e o Museu da Ciência, da Universidade, além do Colégio das Artes, que apresenta “inundações profundas”.

Em Pombal, a Igreja Nova de Vermoil sofreu “danos severos”, a Igreja Velha de Vermoil, “danos críticos”, a sede da Sociedade Filarmónica Vermoilense, “danos graves”, e também ficaram danificadas as igrejas da Guia e de Santo Amaro.

Em Tomar, a Charolinha da Mata dos Sete Montes exige reconstrução total. Na terça-feira, a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, revelou que partes do monumento caíram à água sendo necessária a drenagem para recuperação das peças, estimando-se um ano de obras e um investimento de pelo menos 750 mil euros. No concelho foram ainda afetadas as igrejas de Além da Ribeira, Alviobeira e de Casais.

O Forte Novo, em Loulé, teve destruição de complexos arqueológicos, enquanto a Igreja Paroquial de Óvoa, em Santa Comba Dão, sofreu “danos estruturais severos”, indica ainda o relatório provisório do Património Cultural.

Entre o património afetado encontram-se ainda a Igreja da Misericórdia de Aveiro, a Igreja Paroquial do Sebal Grande e as vilas romanas do Rabaçal e de São Simão, em Condeixa-a-Nova; as Muralhas do Castelo de Estremoz, onde se verificou a derrocada de pano de muralha; o Castelo de São Jorge, em Lisboa, pela queda de árvores; a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios de Montalvão, a Igreja de Nossa Senhora da Graça de Nisa, o Convento de Santo António e a Igreja de São Miguel, em Penela, assim como a Igreja Matriz de Assentiz, em Torres Novas. Ficaram também danificadas igrejas de Ansião, Alvaiázere e Ferreira do Zêzere.

Na Figueira da Foz, estão sinalizados o Paço de Maiorca, a Casa do Paço, a Igreja Paroquial de Brenha, o Mosteiro de Seiça e a Capela da Leirosa, na Marinha das Ondas.

Em Leiria, além do Castelo, onde houve derrocada de panos e destruição de elementos pétreos, estão também sinalizados o Solar dos Viscondes e as igrejas de Azoia, Barosa, São Francisco, de Pousos e do Santuário de Nossa Senhora da Encarnação.

Em termos de acesso público, na esfera da MMP, devido aos efeitos do mau tempo, continuam encerrados o Mosteiro da Batalha, o Convento de Cristo e o Museu de Conímbriga, além do Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, porque se situa dentro do Parque D. Carlos I, que a autarquia encerrou ao público.

No âmbito do Património Cultural, todos os equipamentos afetos estão abertos, à exceção do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha que já se encontrava encerrado por causa das obras do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), indicou fonte oficial.

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

AG (MYF)// MAG

Lusa/Fim