
Atenas, 04 fev 2026 (Lusa) – O número de mortos causados por uma colisão entre uma embarcação e um navio da guarda costeira grega perto da ilha grega de Chios subiu para 15, afirmaram hoje as autoridades locais das Grécia.
O acidente aconteceu na noite de terça-feira, na costa leste de Chios, no Mar Egeu, quando “o piloto de uma lancha rápida sem luzes de navegação e com passageiros estrangeiros a bordo não obedeceu aos sinais luminosos e sonoros da guarda costeira”, avançaram as autoridades em comunicado hoje divulgado.
“Em vez disso, o piloto deu meia-volta e a embarcação colidiu com o lado estibordo do navio da guarda costeira”, adiantou o comunicado, acrescentando que “a força do impacto fez com que a embarcação se virasse e afundasse”.
Logo na noite de terça-feira, a guarda costeira conseguiu recuperou quatro corpos, mas o número de mortos aumentou rapidamente.
Catorze pessoas foram encontradas mortas na água, incluindo três mulheres e uma quarta mulher, que estava entre os 25 feridos levados para o hospital em Chios, acabou por sucumbir, segundo um comunicado da guarda costeira.
Entre os feridos contam-se 11 crianças e dois membros da guarda costeira, que foram levados para o hospital em Chios, segundo a mesma fonte.
O número total de migrantes que estava a bordo da embarcação ainda não é conhecido, sendo que está em curso uma operação de resgate na costa de Chios, envolvendo cinco lanchas de patrulha e um helicóptero da polícia portuária, para encontrar os desaparecidos.
Localizada no nordeste do Mar Egeu, Chios é uma das ilhas gregas situadas a uma menor distância da Turquia e muitas pessoas que procuram asilo na União Europeia tentam a perigosa travessia entre a costa turca e as ilhas gregas do Mar Egeu.
Os naufrágios fatais continuam a ser frequentes nesta área.
No início de dezembro, 17 pessoas foram encontradas mortas após o naufrágio da sua embarcação ao largo da costa de Creta (sul da Grécia), e outras 15 foram dadas como desaparecidas. Apenas duas pessoas sobreviveram.
“Vemos diariamente incidentes que envolvem traficantes [de pessoas] que tentam chegar às ilhas gregas do Mar Egeu a partir da costa turca ou à ilha de Creta a partir de Tobruk, na Líbia”, admitiu hoje a vice-ministra grega da Migração, Sevi Voloudaki, em declarações à rádio pública ERT.
A guarda costeira “está a operar em condições de guerra”, acrescentou, lamentando os acontecimentos em Chios.
“Pelo que percebi, os traficantes abriram fogo e tentaram obstruir a embarcação da guarda costeira”, disse, avançando estar “em curso uma investigação” para determinar as causas exatas da tragédia.
A Grécia queixa-se há muitos anos de ser uma porta de entrada para a União Europeia de migrantes que partem do norte de África, referindo que a situação tem-se agravado e defendendo regras mais duras.
O Governo conservador grego liderado por Kyriakos Mitsotakis adotou uma política migratória rigorosa, e a Grécia tem sido repetidamente acusada de expulsões ilegais por organizações de defesa dos direitos dos migrantes.
Dezoito membros da guarda costeira são acusados pelo naufrágio de um arrastão em 2023, ao largo da costa de Pylos, cidade no sul do Peloponeso, um dos piores naufrágios no Mediterrâneo Oriental dos últimos anos, que resultou em centenas de mortes.
Entre os 104 sobreviventes do naufrágio, várias dezenas apresentaram uma ação coletiva contra a polícia portuária grega, alegando que a guarda costeira demorou horas a intervir quando a embarcação estava em perigo, apesar dos avisos da polícia de fronteiras da UE, a Frontex, e da organização não-governamental Alarm Phone.
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