Moçambique precisa de 2.900 ME para recuperar estradas danificadas pelas cheias

Maputo, 03 fev 2026 (Lusa) – Moçambique necessita de 2,9 mil milhões de euros para recuperar as estradas nacionais danificadas pelas cheias das últimas semanas, estimou hoje o Governo, assegurando decorrerem trabalhos para garantir a ligação entre províncias por vias alternativas.

“É de cerca de 3,5 mil milhões de dólares [2.5 mil milhões de euros] (…) o valor que estamos a procura no mercado. Nós não temos isso, estamos a procurar esse valor para repor a estrada nacional, incluindo as estradas do resto do país”, avançou aos jornalistas o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, à margem das comemorações do Dia dos Heróis moçambicanos, em Maputo.

Moçambique tem, atualmente, mais de 5.200 quilómetros de estradas danificadas em todo o país, indicou hoje o governante, recordando que o valor aumentou face ao novo balanço de danos provocados pelas chuvas, quando antes estava estimada em cerca de 1,2 mil milhões de dólares.

O ministro assegurou estarem em curso trabalhos para garantir conectividade entre as províncias moçambicanas, por terra, até quarta-feira, mas mantendo a conexão por via aérea face ao galgamento de estradas que, em alguns casos, levou a cortes na principal ligação terrestre. 

“Nós estamos a trabalhar 24 horas em relação à N1 (…), conseguimos abrir a via alternativa de Chibuto, já está a funcionar, na N1 continuávamos com uma corrente muito forte mais ou menos até sexta-feira. Começámos a fazer intervenções pontuais que é para ver se conseguíamos reduzir a pressão da água e todas as equipas estão a trabalhar para ver se até amanhã [quarta-feira] conseguimos fazer a conectividade”, explicou João Matlombe.

João Matlombe disse ainda que as Linhas Aéreas de Moçambique vai retomar aos voos normais para capital de Gaza, Xai-Xai, e para o distrito de Vilanculos, em Inhambane, também no sul do país, após as autoridades terem aumentado o número de voos para esses destinos devido às cheias.

“Neste momento, já não se justifica manter esse nível de voos, vamos manter os voos normais, regulares um voo, mas é importante, obviamente manter a conectividade”, acrescentou o governante, recordando que continua o plano de aquisição de mais voos para a companhia aérea moçambicana, na fase de reestruturação.

Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as cheias de janeiro, há registo de 153 mortos, além de 254 feridos e de 844.372 pessoas afetadas, segundo os dados do INGD.

Em 16 de janeiro, o Governo decretou o alerta vermelho nacional.

De acordo com os dados atualizados, estão atualmente ativos 77 centros de acomodação, com 76.251 pessoas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas desde 07 de janeiro 229 unidades sanitárias e 316 escolas, bem como cinco pontes.

O registo do INGD aponta também para 440.842 hectares de área agrícola afetados, dos quais 275.405 dados como perdidos, atingindo a atividade de 314.780 agricultores, além da morte de 408.115 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.

A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega e Japão, além de países vizinhos, já enviaram ajuda humanitária de emergência.

 

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