
Oslo, 03 jan 2026 (Lusa) — O filho mais velho da princesa herdeira da Noruega, Marius Borg Høiby, de 29 anos, começou hoje a ser julgado por 38 crimes, incluindo quatro violações e violência doméstica contra a ex-companheira.
O acusado nasceu de uma anterior relação da princesa Mette-Marit, membro do Comité Nobel, e a Casa Real daquele país escandinavo, assim como outras personalidades destacadas têm sido associadas ao escândalo de abusos sexuais protagonizado pelo falecido empresário norte-americano Jeffrey Epstein.
Høiby está sob investigação desde que foi preso, várias vezes, também por posse de 3,5 quilogramas, atos de violência contra outra pessoa, ameaças de morte e infrações de trânsito, em 2024, estando o final do julgamento previsto para 19 de março.
O Ministério Público calcula que o réu pode vir a ser condenado até um máximo de 10 anos de prisão e vai enfrentar o testemunho de sete alegadas vítimas.
A sua defesa declarou que Høiby “nega todas as acusações de abuso sexual, bem como a maioria das acusações relacionadas à violência”.
A publicação, na sexta-feira, de mais de três milhões de ficheiros relacionados com o milionário Epstein e a inclusão menções a Mette-Marit levou a princesa norueguesa a pedir desculpa pelo “erro de julgamento” que teve ao trocar dezenas de e-mails com um abusador de crianças.
Ambos mantiveram uma amizade durante vários anos, com Mette-Marit a visitar o magnata na sua luxuosa residência em Palm Beach, na Florida, durante quatro dias no início de 2013, e a oferecer-lhe conselhos sobre como “encontrar uma mulher”.
A princesa herdeira admitiu ter tido “falta de discernimento” e que pretende “assumir a responsabilidade por não ter investigado melhor o passado” [de Epstein], lamentando “não ter compreendido com a rapidez necessária o tipo de pessoa era”.
O nome do antigo primeiro-ministro Thorbjørn Jagland, atual membro do Partido Trabalhista e então secretário-geral do Conselho da Europa e presidente do Comité do Nobel, também aparece nos arquivos de Epstein.
Os documentos revelam ainda conversas entre os dois homens sobre empréstimos para a compra de imóveis e outras mensagens privadas, mas Jagland garantiu que os contactos faziam parte da sua “atividade diplomática normal”.
Fontes do Conselho da Europa confirmaram ao jornal Verdens Gang que Epstein visitou a residência de Jagland em Estrasburgo pelo menos duas vezes e que Jagland se hospedou nas casas do magnata em Paris e Nova Iorque em diversas ocasiões.
O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega e presidente do Fórum Económico Mundial desde 2017, Børge Brende, também surge nos documentos, em trocas de mensagens e e-mails com Epstein que demonstram a existência de uma relação amigável até pouco antes da detenção do pedófilo norte-americano, em 2019.
O ex-ministro também declarou recentemente que desconhecia o passado criminoso de Epstein e lamentou não o ter investigado mais a fundo.
Outros nomes que surgem nos arquivos são os do vice-presidente do Comité do Nobel, Asle Toje, do diplomata e ex-diretor do Instituto para a Paz Terje Rod-Larsen – que admitiu ter tido uma relação financeira com Epstein — e o da sua mulher, Mona Juul, antiga embaixadora da Noruega nas Nações Unidas.
HPG (PMC) // SB
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