
Caracas, 03 fev 2026 (Lusa) — Em transição desde o afastamento, a 03 de janeiro, de Nicolás Maduro do poder, o ambiente na Venezuela é de calma, contrastando com o sentimento da população, que mistura esperança com temor e incerteza com ponderação.
“Passou um mês, continuamos a observar, a vigiar o que acontece. Há esperança e temor quando ao futuro polÃtico e económico. Esperança de que rapidamente a situação se estabilize, que a economia melhore rapidamente, mas também temor a eventuais situações de repressão e possÃvel violência entre a população”, explicou Carlos MartÃnez à Lusa.
O construtor civil, de 60 anos, diz que a situação exige ponderação e cautela e sublinhou que já viveu situações complicadas no paÃs, entre os quais o violento ‘Caracazo’, uma explosão social em protesto contra medidas económicas, que desencadeou saques a estabelecimentos comerciais e mais de 270 mortos.
“Estamos politicamente e socialmente mais maduros e entendemos os riscos, mas esta mudança abrupto gera ansiedade e tensões difÃceis de minimizar e que vão requerer um esforço global da sociedade para controlar”, disse.
Maria Eugenia Pérez, uma ‘concierge’ de 45 anos de idade, ainda se arrepia ao lembrar o zumbido dos helicópteros norte-americanos que em 03 de janeiro voaram sobre Caracas, rompendo a tranquilidade de uma noite de Ano Novo.
Os Estados Unidos lançaram um ataque contra a Venezuela para capturar o lÃder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o paÃs até se concluir uma transição de poder.
“Senti medo e continuo a sentir. A transição, a tutelagem de forças estrangeiras não tem sido o melhor em vários outros paÃses. Necessitamos de ter estabilidade polÃtica. Estamos cansados de anos de crise económica, social, e de conflituosidade”, disse Pérez.
AndreÃna Marquéz, uma contabilista de 41 anos, continua incrédula quanto a uma mudança real no paÃs, mas acredita que “algo terá que melhorar” e que os venezuelanos precisam reencontrar-se.
“Foi anunciada uma amnistia para os presos polÃticos e isso representa um avanço, a possibilidade de uma abertura polÃtica, de eleições livres e democráticas, de pluralismo ideológico, de uma reconciliação, mas é preciso que haja também justiça”, disse.
Segundo Eduardo Yepez, um empregado de mesa de 50 anos, os clientes dos restaurantes continuam a falar das suas preocupações, da instabilidade no paÃs, mas evitam tomar uma posição polÃtica.
“Alguns mais atrevidos comentam que algo tem que mudar em breve no paÃs, porque as coisas não estão bem, estão agravando-se sem travão desde há anos”, mas adverte que cada vez há menos clientes nos restaurantes e que a situação económica não está a melhorar.
Delcy Rodriguez, vice-presidente executiva de Maduro, assumiu a presidência interina do paÃs com o apoio das Forças Armadas.
Maduro e a mulher prestaram breves declarações num tribunal de Nova Iorque para responder às acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais e ambos se declararam inocentes. A próxima audiência está marcada para 17 de março.
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