
Póvoa de Varzim, Porto, 30 jan 2026 (Lusa) — O candidato presidencial André Ventura defendeu hoje uma “profunda auditoria” à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), acusando o Governo de “desleixo” na resposta à depressão Kristin.
“Estou convencido de que nós precisamos mesmo de uma auditoria, sobretudo na Proteção Civil, porque a Proteção Civil tornou-se, nos últimos anos, – e nestas tragédias devemos ser mais exigentes – um reduto de ‘boys and girls’ do PSD e do PS”, afirmou André Ventura, que falava numa sessão de esclarecimento com apoiantes na Póvoa de Varzim, distrito do Porto, sobre as falhas do Estado na resposta a situações de calamidade, que substituiu uma arruada inicialmente prevista.
O também presidente do Chega respondia a uma pergunta lida por um dos presentes que questionava se estaria na altura de uma auditoria à ANEPC.
“Eu acho que é preciso uma profunda auditoria em todos os sistemas de proteção civil do paÃs. Acho que temos que reformular o seu enquadramento e a sua agilidade”, afirmou.
Para André Ventura, perante um aviso vermelho, fez-se “muito pouco”, considerando que é preciso exigir respostas sobre o que falhou e apurar responsabilidades.
“O que nós temos hoje, verdadeiramente, é um conjunto de falhas em que já gastámos milhões de euros a procurar explicá-las”, disse, defendendo uma auditoria ao invés de “estudos” para perceber o que se passou — que acusa de não chegarem a conclusão nenhuma.
André Ventura voltou também a criticar o Governo na “falta de prevenção” perante uma situação cujo risco era conhecido.
“O Governo sabia há dias que estava numa situação de risco, de risco elevado e fez muito pouco para evitar”, disse, acreditando que, com outra preparação, poderia ter sido possÃvel evitar algumas das vÃtimas mortais registadas com a passagem da depressão Kristin.
O candidato aproveitou ainda o momento para criticar a demora de Portugal em acionar o mecanismo europeu de proteção civil, recordando que também nos incêndios de 2025 o executivo liderado por LuÃs Montenegro demorou “uma eternidade a pedir auxÃlio”.
“Agora, voltou a acontecer a mesma coisa, mas com uma situação mais grave. É que o Governo disse que já tinha contactado e estava a ponderar acionar formalmente mecanismos de ajuda europeia e hoje responsáveis europeus disseram que não receberam nenhum contacto do Governo português. Portanto, isto é pura incompetência, mas sobretudo é o desleixo para com a população, é o desleixo para com as pessoas, é a despreocupação para com as pessoas”, salientou.
Durante a sessão, o candidato presidencial alegou uma ausência de resposta das Forças Armadas após a passagem da depressão, considerando que haveria capacidade, vontade e condições para a sua mobilização.
As Forças Armadas “têm que ser mobilizadas para a luta, para ajudar as pessoas, por exemplo, para desbloquear caminhos”, disse, apesar de o ministro da Defesa Nacional já ter afirmado na quinta-feira que os militares estão envolvidos no apoio à s populações afetadas, com instruções para auxiliar, no limite das suas capacidades.
Ao longo de quase uma hora de sessão, André Ventura pediu ainda uma agilização e desburocratização no acesso a apoios por parte das pessoas e empresas afetadas, para garantir que a ajuda chega a quem precise.
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