
(CORREÇÃO) Istambul, Turquia, 29 jan 2026 (Lusa) — A Marinha portuguesa deu hoje o “primeiro passo” na construção do navio reabastecedor LuÃs de Camões que levará quase tudo até alto mar, desde combustÃvel a bens e pessoal, numa parceria com as indústrias da Turquia.
“Hoje é um dia muito importante para Portugal e para a Marinha, porque demos o primeiro passo para a construção de navios, que não são apenas navios reabastecedores, são navios logÃsticos, eu diria quase polivalentes”, realçou o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, à margem da cerimónia que assinalou o inÃcio da construção do Navio da República Portuguesa (NRP) LuÃs de Camões, nos estaleiros da ADA, na Turquia.
Este é o primeiro de dois navios reabastecedores que vão reforçar a Marinha portuguesa — o segundo será batizado D. Dinis — e que têm chegada prevista a Portugal em abril e dezembro de 2028.
O NRP LuÃs de Camões vai permitir levar até alto mar quase tudo: combustÃvel para reabastecer navios e aeronaves, permitindo que as missões continuem sem necessidade de deslocações ao porto, mas também água potável, carga sólida geral e munições, além de oferecerem apoio logÃstico diversificado e funções hospitalares acrescidas para situações de catástrofe.
A aquisição resultou de um contrato assinado entre a Marinha Portuguesa e a empresa turca STM, com construção nos estaleiros da ADA, e vai permitir a Portugal recuperar uma capacidade que perdeu em 2020, com o abate do “Bérrio”.
Nuno Melo assinalou que a construção do navio, feita em território turco, será também feita em Portugal, através da incorporação de tecnologia de comunicações e sistemas, combinando conhecimentos portugueses com a indústria turca.
“O resultado é uma nova classe de embarcações de última geração que estabelece um padrão a ser seguido por outras”, assinalou na sua intervenção.
Esta é a primeira vez que a Turquia, membro da NATO, exporta este tipo de navio para um membro da Aliança e da União Europeia, circunstância assinalada nos vários discursos dos representantes turcos presentes.
O ministro da Defesa do paÃs, Yasar Güler, destacou o significado da parceira com Portugal, uma nação, à semelhança da sua, com tradição marÃtima, e realçou que num perÃodo de “incertezas globais crescente”, com “incertezas multidimensionais e riscos para a segurança marÃtima”, este tipo de colaboração é “mais importante do que nunca”.
Também o Secretário das Indústrias da Defesa da Turquia, Haluk Görgün, salientou que em “tempos desafiantes” a solidariedade entre aliados releva particular importância, e que este é “apenas o inÃcio” de uma “jornada muito maior” com Portugal, antecipando mais parcerias em breve.
A cerimónia assinalou o assentamento da quilha do navio, estrutura considerada a “espinha dorsal” de uma embarcação, que vai desde a proa até à popa, e na qual foi cunhada uma moeda com a imagem do poeta LuÃs de Camões, como gesto simbólico de boa sorte e proteção da guarnição.
O chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Nobre de Sousa, presente na cerimónia, disse estar em causa um “momento de júbilo” e destacou que este tipo de navios permite uma “Marinha oceânica” e não costeira, pelas funcionalidades que serão levadas até alto mar.
“Aquilo que nos une ao oceano, aquilo que nos une também, nas voz de outro grande poeta, é a lÃngua, e este navio vai permitir unir as parcelas do nosso território e da diáspora, e nada melhor do que ser batizado com o nome de Camões, que é o nosso poeta maior”, enalteceu.
O custo dos dois navios ronda os 100 milhões de euros e as verbas serão da Lei de Programação Militar (LPM), com Nuno Melo a destacar a aquisição abaixo do preço de mercado.Â
Com 137 metros de comprimento, estes navios atingem uma velocidade máxima superior a 18 nós e contam com propulsão hÃbrida, combinando sistemas diesel e elétricos.
A guarnição será composta por 50 militares, havendo possibilidade para alojamento extra de mais 50 e capacidade temporária para mais de 100 pessoas.
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