
Lisboa, 24 jan 2026 (Lusa) — Os governos italiano e dinamarquês repudiaram hoje crÃticas do Presidente norte-americano, sobre o papel dos aliados da NATO no Afeganistão, que Donald Trump acusou de terem ficado “um pouco afastados das linhas da frente”.
“É insuportável que o Presidente americano esteja a questionar o compromisso dos soldados aliados no Afeganistão”, escreveu a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, na rede social Facebook.
Os comentários da chefe do Governo dinamarquês surgiram depois de a Associação Dinamarquesa de Veteranos ter manifestado indignação com as declarações de Trump.
“Estamos sem palavras. A Dinamarca sempre apoiou os Estados Unidos e estivemos presentes em zonas de crise em todo o mundo quando os Estados Unidos nos pediram para o fazer”, escreveu a associação num comunicado.
Veteranos dinamarqueses apelam a uma marcha silenciosa no sábado, 31 de janeiro, em Copenhaga, para protestar contra os ataques de Trump.
Segundo as Forças Armadas dinamarquesas, 44 soldados dinamarqueses morreram no Afeganistão: 37 em combate e outros sete devido a doença, acidente ou outros ferimentos.
“A Dinamarca é um dos paÃses da NATO que sofreu as maiores perdas per capita”, disse a lÃder dinamarquesa.
De Itália, também surgiram crÃticas.
O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, defendeu o compromisso dos soldados italianos em missões internacionais e lamentou a controvérsia.
O governante italiano indicou ter canalizado uma resposta à s palavras de Trump “através de atos formais”.
“É assim que se faz entre instituições. Fiz uma breve revisão histórica do que aconteceu no Afeganistão e em muitos outros cenários. O bom dos factos é que não podem ser apagados”, disse o ministro na rede social X.
O ministro rejeitou qualquer lição sobre “o compromisso de Itália, das suas Forças Armadas nas missões, sobre a sua coragem, o seu sacrifÃcio, sobre o seu papel não marginal.”
“Não podemos nem queremos aceitar análises superficiais e erradas. De ninguém,” sublinhou.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, uma conhecida aliada de Trump no continente europeu, não respondeu a estas palavras e na sexta-feira chegou mesmo a dizer que pedirá o Prémio Nobel da Paz ao Presidente dos EUA caso este pacifique a Ucrânia.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, em unÃssono com toda a classe polÃtica do Reino Unido, indignou-se na sexta-feira com as declarações “insultuosas” e “francamente chocantes” de Donald Trump.
A Casa Branca respondeu na sexta-feira que os Estados Unidos fizeram “mais pela NATO do que todos os aliados juntos”.
Também o prÃncipe britânico Harry, que serviu por duas vezes no Afeganistão, pediu na sexta-feira que se reconheça “com respeito” o sacrifÃcio dos soldados da NATO na guerra no Afeganistão.
Numa declaração, o duque de Sussex recordou que membros da Aliança Atlântica vieram em auxÃlio dos Estados Unidos quando estes invocaram o Artigo 5.º de apoio mútuo em 2001, após os ataques de 11 de setembro contra os EUA, “pela primeira — e única — vez na história”.
“Isto significava que todas as nações aliadas estavam obrigadas a apoiar os Estados Unidos no Afeganistão, em defesa da nossa segurança partilhada. Os aliados responderam a esse apelo”, disse o filho mais novo do Rei Carlos III.
“Servi lá. Fiz amigos para a vida. E também perdi amigos”, acrescentou, recordando que o Reino Unido, principal aliado de Washington, registou 457 mortes.
Numa entrevista na quinta-feira ao canal norte-americano Fox News, o Presidente Trump criticou o papel dos outros paÃses membros da NATO durante os 20 anos de conflito (2001-2021), assegurando que os Estados Unidos “nunca precisaram deles”.
“Vão dizer que enviaram algumas tropas para o Afeganistão… e conseguiram, mas ficaram um pouco para trás, um pouco afastados das linhas da frente”, disse, afirmando que a NATO não ajudaria os Estados Unidos em caso de necessidade.
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