Moçambique ordena retirada imediata por risco de rutura de barragem sul-africana

Maputo, 23 jan 2026 (Lusa) — As autoridades moçambicanas ordenaram hoje a retirada imediata da população em zonas de risco face ao alerta de rutura da barragem sul-africana de Senteeko, podendo afetar mais de 40 mil pessoas e infraestruturas sociais.

Segundo um comunicado do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) recebeu informação da sua contraparte sul-africana, ao fim da tarde de hoje, indicando o agravamento da erosão na Barragem de Senteeko estando na iminência de colapsar a qualquer momento.

“Para mitigar o impacto, serão tomadas as seguintes medidas: retirada imediata das famílias nas zonas de risco para os centros de acomodação e redução das descargas na barragem de Corumana, para mitigar o impacto do caudal adicional”, lê-se no documento. 

A DNGRH explica que a barragem flui para Moçambique, a partir da fronteira de Ressano Garcia, podendo transportar caudais que podem agravar as inundações que já se registam no Baixo Incomáti, com impactos sobre os assentamentos humanos em Xinavane, Ilha Josina Machael, Zonas Baixas de Maomba, Magude, Manhiça e Marracuene, afetando mais de 40 mil pessoas e infraestruturas sociais.

De acordo com a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos de Moçambique, em caso de rutura, estima-se que a onda de caudal gerada pela descarga resultante do colapso poderá levar de três a cinco dias para atingir o território nacional.

“Importa referir que as equipas técnicas da DNGRH e ARA-Sul estão a monitorar a situação, podendo informar oportunamente se a estrada Nacional N1 poderá voltar ou não a estar afetada”, acrescenta.

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