
Maputo, 22 jan 2026 (Lusa) — O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, pediu hoje mecanismos que permitam o fornecimento e distribuição de bens essenciais para conter a subida de preço por escassez de oferta na provÃncia de Gaza, uma das severamente afetadas pelas cheias.
“A procura é maior, há sem dúvidas o aumento de preço. Então há um problema que tem a ver com aumento de preços de produtos, sobretudo de primeira necessidade, em Gaza, principalmente Xai-Xai, Chibuto, na zona alta onde as pessoas estão e em todas as zonas [para] onde as pessoas [se] deslocaram”, disse Daniel Chapo, durante a reunião de montagem de uma Sala de Operações de Emergência, em Maputo.
Perante este cenário, o Presidente moçambicano defendeu a necessidade de haver coordenação entre a Sala de Operações de Emergência, o ministro da Economia e o secretário de Estado da Indústria e Comércio, para se encontrarem mecanismos que permitam o aumento da oferta dos produtos de primeira necessidade, para estabilizar os preços.Â
“Eles [os fornecedores] têm produtos na região centro, porque têm armazéns em todo o paÃs que fazem a logÃstica. Então, é uma questão de trazerem para Gaza os produtos que eles têm em Manica, Sofala e Tete, porque são as provÃncias mais próximas e isso vai estabilizar os preços”, disse o chefe de Estado moçambicano, pedindo que haja mais atenção para com as crianças.
De acordo com um comunicado da Presidência da República, durante a montagem da Sala de Operações de Emergência foi igualmente apresentada a proposta de utilização da via marÃtima para o transporte de alimentos do Porto de Maputo para a provÃncia de Gaza, aproveitando a infraestrutura recentemente montada no contexto da exploração das areias pesadas naquela região.
“Esta solução permitirá que os meios de transporte naval movimentem os produtos alimentares até ao Porto de Chongoene, de onde serão encaminhados para o armazém regional que está a ser montado naquele ponto estratégico”, especifica.
A Sala de Operações de Emergência, que deverá funcionar a partir da Presidência da República, tem como objetivo assegurar o acompanhamento permanente da situação de calamidade que o paÃs enfrenta, em resultado das chuvas intensas, inundações e cheias que afetam as regiões sul e centro.
Pelo menos 13 pessoas morreram e 585.627 foram afetadas desde 07 de janeiro nas cheias generalizadas que se registam em Moçambique, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com a base de dados do INGD, consultada pela Lusa e com dados até à s 15:30 (13:30 de Lisboa) de hoje, as cheias que se registam em vários pontos do paÃs afetaram o equivalente a 127.486 famÃlias, com registo de 2.867 casas parcialmente destruÃdas, 743 totalmente destruÃdas e 71.560 inundadas.
Os dados do INGD referem ainda dois feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias, em 15 dias, e numa altura em que centenas de famÃlias continuam sitiadas, a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.
Continuam as ações e tentativas de resgate de centenas de famÃlias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas, quase ininterruptas desde há vários dias, e que têm obrigado as barragens, incluindo dos paÃses vizinhos, a realizarem fortes descargas, por falta de capacidade.
Desde o inÃcio da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 124 pessoas em Moçambique e 723.532 pessoas foram afetadas, segundo o INGD.
Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.
SYCO (PVJ) //Â MLL
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