Damasco retira mais uma cidade do controlo dos curdos no norte

Damasco, 17 jan 2026 (Lusa) — O governo de Damasco controla, desde hoje, a cidade de Deir Hafer, a leste de Aleppo, depois de as forças curdas terem concordado numa retirada, após vários combates nessa zona do norte da Síria.

O exército sírio anunciou ter assumido “o controlo militar total” de Deir Hafer, uma informação confirmada pela agência francesa de notícias AFP, no local.

Em comunicado, o exército refere que as suas forças “começaram a entrar na zona a oeste do rio Eufrates, começando pela cidade de Deir Hafer”, após o acordo com as forças curdas.

Enquanto está envolvido num conflito com as forças curdas que controlam o norte do país, o Presidente sírio, Ahmad al-Chareh, anunciou na sexta-feira à noite que reconheceria por decreto os direitos nacionais dos curdos, cuja língua passaria a ser oficial.

O chefe de Estado afirmou que os curdos constituem “parte integrante” do país, onde sofreram décadas de marginalização e opressão por parte dos regimes anteriores.

Chareh derrubou Bashar al-Assad em dezembro de 2024 à frente de uma coligação e pretende estender a sua autoridade a todo o território sírio.

A minoria curda aproveitou o caos da guerra civil (2011-2024) para tomar vastos territórios do norte e nordeste da Síria — incluindo campos de petróleo e gás — após derrotar o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) com o apoio de uma coligação multinacional.

Na semana passada, combates opuseram o exército sírio às forças curdas em Aleppo, de onde foram expulsas nos dois bairros que controlavam.

As forças sírias reuniram então reforços importantes na região de Deir Hafer, a cerca de 50 quilómetros a leste de Aleppo, e intimaram as Forças Democráticas Sírias (FDS), dominadas pelos curdos, a sair da zona.

O líder das FDS, Mazloum Abdi, anunciou uma retirada programada, que deveria ocorrer na manhã de hoje.

O exército concedeu um prazo aos civis para saírem da zona sob o controlo das FDS, e mais de quatro mil já fugiram, segundo as autoridades sírias.

PJA // JNM

Lusa/Fim