
Maputo, 15 jan 2026 (Lusa) – As chuvas fortes em Moçambique afetaram em menos de um mês 123.495 pessoas, provocando oito mortos bem como a destruição total ou parcial de quase 4.000 casas, segundo um balanço divulgado hoje.
De acordo com a atualização feita pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), com dados de 21 de dezembro a 13 de janeiro, as chuvas “moderadas a fortes” estão a afetar “quase todo o paÃs”, verificando-se “cheias, inundações e erosão” que destruÃram totalmente 1.088 casas e parcialmente mais 2.701.
O INGD acrescenta que neste perÃodo foram abertos 21 centros de acomodação para população deslocada pelas cheias e inundações, que chegou a totalizar 12.133 pessoas. Atualmente, estão em funcionamento dez, que acolhem 4.451 pessoas.
No balanço aponta-se que oito estabelecimentos sanitários e 25 escolas foram afetadas pelas chuvas, bem como três pontes, dez aquedutos, 552,5 quilómetros de estradas e 44.019 hectares de área agrÃcola, dos quais 3.740 dados como perdidos, condicionando a atividade de 10.548 agricultores.
No perÃodo em análise, o INGD registou oito vÃtimas mortais, entre 123.495 pessoas e 23.810 famÃlias afetadas, sobretudo em Manica, Sofala e Zambézia (centro) e Maputo (sul). No entanto, desde o inÃcio da época chuvosa, em outubro, o balanço sobe até 94 mortos, em todo o paÃs.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) moçambicano emitiu hoje um novo aviso vermelho de chuvas muito fortes no centro e sul, incluindo na cidade de Maputo, até final de sexta-feira, quando se registam inundações e cheias generalizadas.
No aviso, o Inam prevê “a continuação da ocorrência de chuvas fortes (mais de 50 milÃmetros em 24 horas), localmente muito fortes (acima de 100 milÃmetros em 24 horas), acompanhadas por vezes de trovoadas severas”, além de ventos fortes, pelo menos até à s 24:00 de quinta-feira.
O alerta lançado hoje envolve vários distritos das provÃncias de Manica e Sofala, centro do paÃs, e de Inhambane, Gaza e Maputo, no sul, com o Inam a recomendar à população “medidas de precaução e segurança face à s chuvas, trovoadas e vento forte”.
Em Maputo, as autoridades já admitem tratar-se de pior época chuvosa (outubro a abril) dos últimos anos, com inundações generalizadas, afetando sobretudo os bairros periféricos, face à subida das águas, devido à s chuvas intensas e quase ininterruptas desde dezembro, e ao elevado volume de descarga de barragens, incluindo de paÃses vizinhos.
As autoridades moçambicanas ordenaram hoje a retirada de pessoas de algumas zonas baixas nas provÃncias de Gaza e Maputo, devido ao risco de inundações na sequência das chuvas fortes previstas para os próximos dias.
Em comunicado, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) refere que tomou a decisão de ordenar a retirada de pessoas devido à previsão de ocorrência de chuvas fortes acompanhadas de trovoadas e ventos com rajadas nos próximos dias, prevendo-se “impacto significativo” nas provÃncias de Manica, Tete e Sofala, Inhambane, Gaza, cidade e provÃncia de Maputo.
Na quarta-feira, a Direção Nacional de Gestão de Recursos HÃdricos de Moçambique estimou que pelo menos 400 mil pessoas estão em risco de serem retiradas compulsivamente das suas zonas de residência, devido ao risco de inundações na provÃncia de Gaza.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, manifestou entretanto solidariedade com as populações afetadas pelas chuvas intensas, que estão a causar inundações e perdas de vidas em algumas provÃncias do paÃs, e reconheceu danos materiais significativos.
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