
Maputo, 12 jan 2026 (Lusa) — Pelo menos seis pessoas morreram nos últimos dias na provÃncia de Manica, centro de Moçambique, incluindo duas crianças que foram arrastadas, devido à chuva intensa, anunciaram hoje as autoridades locais.
“No distrito de Macossa foram quatro pessoas que perderam a vida, duas crianças e dois jovens. Apareceu uma corrente muito forte”, disse o administrador distrital, Albano Muiambo, em declarações aos jornalistas.
Segundo o responsável, as duas crianças foram arrastadas pela água ao tentarem atravessar uma zona inundada, quando um grupo de menores tentava fugir.
“Uma das crianças, a roupa ficou em outra margem. Então, voltou para recuperar a roupa, ficou arrastada. E a outra criança estava a tomar banho, acabou caindo na água”, relatou.
Albano Muiambo acrescentou que outras duas mortes ocorreram noutras localidades vizinhas, elevando para seis o número total de óbitos na provÃncia.
“Por pouco também Ãamos perder uma professora”, disse o administrador, explicando que a docente foi surpreendida por uma descarga elétrica, durante a chuva.
Perante a situação, o secretário de Estado da provÃncia de Manica, Lourenço Lindonde, apelou à prudência da população, desde logo ao atravessar os rios.
“Temos que cuidar muito bem das nossas crianças para evitar que brinquem perto dos rios, das águas, que possam causar algum mal”, alertou.
O Instituto Nacional de Meteorologia moçambicano tem vindo a emitir, nos últimos dias, avisos vermelhos para a ocorrência de fortes chuvas e trovoadas, que estão a provocar inundações sobretudo no centro e sul de Moçambique.
Já a sul, na provÃncia de Maputo, estão ativos dois centros de acomodação provisória, nos bairros nos arredores da capital, disse o autarca da Matola, Júlio Parruque.
“Só aqui o primeiro lote foi de 25 famÃlias [e no bairro] Nkobe é um número mais ou menos aproximado”, disse o autarca, garantindo apoio em alimentação, higiene, saúde e acesso à informação.
Moçambique é considerado um dos paÃses mais afetados pelas alterações climáticas, registando com frequência cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril. Entre 2019 e 2023, eventos extremos causaram pelo menos 1.016 mortos e afetaram cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados oficiais.
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