
Damasco, 11 jan 2026 (Lusa) – As milÃcias curdo-árabes das Forças Democráticas da SÃria (HSD, na sigla em curdo) anunciaram hoje a retirada dos dois distritos que controlavam na cidade de Alepo, após dias de combates com as forças governamentais.
“Chegámos a um acordo que levou a um cessar-fogo e permitiu a retirada de mártires, feridos, civis presos e combatentes dos distritos de Ashrafieh e Sheikh Maqsoud para o norte e leste da SÃria”, afirmaram as HSD, em comunicado.
A agência de notÃcias oficial sÃria SANA confirmou que “autocarros que transportavam o último grupo de membros das HSD saÃram do distrito de Sheikh Maqsoud, em Alepo, em direção ao nordeste da SÃria”.
Os confrontos, os mais violentos em Alepo desde a queda de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, causaram a morte de pelo menos 21 civis desde terça-feira e obrigaram à fuga de aproximadamente 155 mil pessoas, segundo dados oficiais.
A retirada dos combatentes foi realizada “graças à mediação de atores internacionais para pôr fim aos ataques e violações cometidos contra o nosso povo em Alepo”, declararam as HSD, que denunciaram deslocações forçadas e raptos de civis.
Os Estados Unidos e a União Europeia pediram no sábado ao exército da SÃria e à s milÃcias das HSD para cessarem imediatamente as hostilidades em Alepo e retomarem “urgentemente o diálogo polÃtico”.
No sábado, as autoridades sÃrias anunciaram estar a transferir combatentes entrincheirados no bairro curdo de Sheikh Maqsoud, em Alepo, para a zona autónoma curda mais a leste, depois de terem assumido o controlo do bairro.
A televisão estatal sÃria indicou que “combatentes estavam a ser transferidos de autocarro” para o nordeste.
Os bairros de Sheikh Maqsud e de Ashrafieh têm sido, nos últimos dias, palco de sangrentos combates entre as forças governamentais e as milÃcias das HSD e da força curda Asayish.
“Trata-se de uma operação limitada e especÃfica, com um âmbito e objetivos restritos”, assegurou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da SÃria, em comunicado.
O ministério acusou as Unidades de Proteção Popular (YPG, a espinha dorsal das HSD) de “violações repetidas dos acordos de segurança” inicialmente assinados com o Governo sÃrio em abril de 2015.
As HSD e a autoridade polÃtica do nordeste da SÃria, por outro lado, acusaram Damasco de não terem feito o mÃnimo esforço para satisfazer as suas exigências de federação.
Os confrontos começaram no inÃcio desta semana, depois de o lÃder das HSD, Mazlum Abdi, se ter reunido em Damasco com as autoridades governamentais no âmbito das negociações para integrar as forças da aliança curda sÃria no exército do paÃs, medida que era suposto ter acontecido até final de 2025.
A medida faz parte de um acordo assinado a 10 de março entre Damasco e os curdos sÃrios para as autoproclamadas zonas autónomas no nordeste da SÃria, mas o processo tem sofrido vários contratempos e está atualmente num impasse.
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