Líder de grupo dissidente das FARC propõe união com ELN após ataque na Venezuela

Bogotá, 09 jan 2026 (Lusa) – O criminoso mais procurado da Colômbia, Néstor Gregorio Vera, chefe do Estado-Maior Central (EMC), maior grupo dissidente das FARC, propôs unir-se à guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) após o ataque norte-americano à Venezuela.

“Convocamos, com necessidade imperiosa, uma cimeira de comandantes insurgentes da Colômbia e de toda a nossa América. Chega de intervenções militares (…) de dominação cultural, que cessem todas as formas de agressão imperialista”, afirmou na quinta-feira Vara, conhecido como Iván Mordisco, num vídeo publicado nas redes sociais.

O chefe do EMC, pelo qual o Governo colombiano oferece uma recompensa de cinco mil milhões de pesos (cerca de 1,1 milhões de euros), convidou para a reunião os comandantes da Segunda Marquetalia e da Coordinadora Nacional Ejército Bolivariano (CNEB), outros dois grupos dissidentes, e o ELN, que opera principalmente na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela.

“Apresentamos-vos esta proposta, não somos forças dispersas, somos herdeiros da mesma causa (…) Vamos forjar o grande bloco insurgente que fará recuar os inimigos da grande pátria”, continuou.

Nesse sentido, Mordisco destacou que, embora “existam diferenças herdadas do passado”, hoje enfrentam “o mesmo inimigo”. “A sombra da águia intervencionista paira sobre todos igualmente”, declarou.

“Haverá tempo para nos sentarmos em camaradagem para discutir esses desacordos”, afirmou, acrescentando ainda: “O destino grita-nos que é hora de nos unirmos (…) na trincheira comum”.

Grupos dissidentes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o ELN têm disputas violentas pelo controlo territorial e pelo negócio da cocaína em várias partes da Colômbia, especialmente na região de Catatumbo e no departamento de Arauca, ambos em zonas fronteiriças com a Venezuela.

Após a captura do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no sábado, o ELN saudou o apelo das autoridades venezuelanas para resistir após o ataque dos Estados Unidos.

“Saudamos os apelos das autoridades venezuelanas para resistir a esta brutal intervenção militar e continuar a defender o legado do [ex-presidente] Hugo Chávez”, afirmou o Comando Central, máxima autoridade de comando da guerrilha, num comunicado publicado no domingo.

A Colômbia e a Venezuela partilham uma fronteira terrestre de 2.219 quilómetros que se estende das Caraíbas à Amazónia e que é sobretudo composta por territórios despovoados.

O ELN, incluído pelos Estados Unidos na lista de organizações terroristas estrangeiras e que o próprio Presidente colombiano, Gustavo Petro, acusa de se ter tornado um grupo de narcotraficantes, é o grupo armado com maior poder na fronteira e, por isso, tem uma forte presença na Venezuela.

Os Estados Unidos lançaram no sábado um ataque contra a Venezuela para capturar Nicolás Maduro e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

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