Governo brasileiro autoriza utilização da Força Nacional em cidades fronteiriças com a Venezuela

Brasília, 08 jan 2026 (Lusa) — O Governo brasileiro autorizou hoje a utilização da Força Nacional nas cidades fronteiriças com a Venezuela para “ações de ordem pública” e de “segurança da região”.

“A atuação da Força Nacional concentra-se no reforço à segurança pública, na proteção de populações vulneráveis, no apoio às ações de ordem pública, bem como no combate a ilícitos ambientais, contribuindo para a estabilidade e a segurança da região”, frisou em comunicado o Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil.

Para os próximos 90 dias, a Força Nacional de Segurança Pública estará presente nos municípios de Boa Vista e de Pacaraima, no estado amazónico de Roraima, numa altura em que a Venezuela vive momentos incertos após ataques dos Estados Unidos a Caracas, Aragua, Miranda e La Guaira.

Esta semana, o Governo Federal brasileiro anunciou ainda a transferência de 115 milhões de reais (cerca de 18 milhões de euros) para fazer face a um possível aumento do fluxo migratório venezuelano no país e que serão focados na saúde, educação, segurança pública e reforço do sistema prisional.

Questionado pela Lusa, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) no Brasil disse estar “acompanhando de perto os acontecimentos na Venezuela e na região, estando pronto para apoiar os esforços de ajuda emergencial e proteger pessoas deslocadas que necessitem, trabalhando em estreita colaboração com parceiros da sociedade civil e governamentais”.

De acordo com dados oficiais citados pelo portal G1, entre domingo e segunda-feira, 259 venezuelanos entraram no Brasil através da fronteira terrestre, um número muito similar a média registada de 280 migrantes venezuelanos por dia em dezembro do ano passado.

Segundo o Governo brasileiro, desde 2016, a fronteira em Roraima tornou-se a principal porta de entrada. Entre janeiro de 2017 e setembro de 2025 entraram no Brasil 1.379.118 migrantes e refugiados venezuelanos, sendo que mais de 732 mil permanecem no país. 

 

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