
Maputo, 05 jan 2026 (Lusa) – A dÃvida pública moçambicana subiu 1,5% no terceiro trimestre de 2025, face ao anterior, para novo máximo, de 1,128 biliões de meticais (15.055 milhões de euros), segundo dados a que a Lusa teve hoje acesso.
De acordo com dados do boletim da dÃvida pública do terceiro trimestre, do Ministério das Finanças de Moçambique, o rácio do endividamento — dÃvida pública, contraÃda interna e externamente, e a garantida – atingiu no final do setembro o equivalente a 73% do Produto Interno Bruto (PIB).
Acrescenta-se que o “crescimento da dÃvida do Governo Central foi influenciado maioritariamente pela dÃvida interna, em resultado do refinanciamento da dÃvida de curto prazo, da emissão de dÃvida por adiantamento junto do Banco Central e da operação de gestão de passivos”, o que implicou a “rolagem” de Obrigações do Tesouro que venciam em 2025.
Deste modo, refere, a dÃvida interna do Governo Central aumentou 4,2%, de 444.994,55 milhões de meticais (5.939 milhões de euros) para 463.716,57 milhões de meticais (6.189 milhões de euros), no final do terceiro trimestre.
O risco soberano de Moçambique fechou o primeiro semestre em “nÃvel severo”, devido à pressão do endividamento público, segundo o relatório do banco central moçambicano.
“Em junho de 2025, o risco soberano permaneceu no nÃvel severo. A prevalência do risco soberano no nÃvel severo decorre da pressão sobre o endividamento público”, referia-se no anterior boletim semestral de estabilidade financeira do Banco de Moçambique.
No documento acrescenta-se que o rácio do crédito ao Governo sobre o crédito total “permaneceu no nÃvel severo, em 44,84 %, contra 46,01 % em dezembro de 2024”.
“Por outro lado, o rácio dÃvida pública sobre o PIB permaneceu no nÃvel de risco alto”, acima de 73% em junho, quando em dezembro de 2024 era de 71,79%.
A ministra das Finanças de Moçambique, Carla Loveira, afirmou em 29 de outubro que a sustentabilidade da dÃvida pública é “um dos maiores desafios” da economia moçambicana, estando em curso “reformas” para a sua gestão sustentável.
A Lusa noticiou em 27 de outubro que o Governo moçambicano contratou os norte-americanos da Alvarez & Marçal para “apoiar na elaboração do plano de reestruturação da dÃvida pública” e para “prestar apoio na elaboração da Estratégia da DÃvida Pública 2026-2029”.
A Alvarez & Marsal, com sede em Nova Iorque e presença global, é descrita como uma especialista na recuperação e melhoria de desempenho, com intervenções como no Lehman Brothers.
Moçambique fechou 2025 com nova troca de Obrigações do Tesouro (OT), numa operação em bolsa superior a 8.364 milhões de meticais (111,6 milhões de euros), conforme dados oficiais compilados pela Lusa.
De acordo com dados da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM), trata-se da emissão OT-2025 10.ª Série, com data de 31 de dezembro, cuja relação procura e oferta foi de 93,71%. “Tendo sido atribuÃdo o total da procura”, o valor da emissão foi de 8.364.959.900 meticais (111,6 milhões de euros).
Deste total, 7.415.777.000 meticais (98,9 milhões de euros) corresponderam a troca de Obrigações anteriores e 949.182.900 meticais (12,6 milhões de euros) referentes a “novas atribuições”, segundo a BVM.
Nos dias anteriores a esta operação, Moçambique colocou ainda quase 8.000 milhões de meticais (106,1 milhões de euros) em três emissões de Obrigações do Tesouro, via Bolsa de Valores, entre 26 e 29 de dezembro.
Estas três emissões de OT somam-se às seis anteriores, feitas entre março e setembro, no valor total de 26.674 milhões de meticais (355 milhões de euros), cinco das quais inteiramente para troca de emissões anteriores, segundo dados do Ministério das Finanças noticiados em novembro pela Lusa.
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