Menezes pede que quem não quer “regresso ao passado” concentre votos em Mendes

Vila Nova de Gaia, Porto, 04 jan 2026 (Lusa) — O antigo líder do PSD Luís Filipe Menezes apelou hoje à concentração de votos em Marques Mendes, dirigindo-se em especial aos que “não querem um regresso ao passado” e alertando para o perigo de “aventuras e experimentalismos” em Belém.

Numa iniciativa de campanha num espaço de eventos em Vila Nova de Gaia (distrito do Porto), com algumas dezenas de cadeiras, o atual autarca deste município considerou que, com o atual cenário de fragmentação política, o papel do Presidente da República ganha maior importância.

“O papel do Presidente da República, com os poderes que tem com a nossa Constituição, vai ser crucial para ajudar a que não haja balbúrdia, a que não haja excessiva conflitualidade, a que não haja excessiva tradução desta divisão formal em divisão real da sociedade portuguesa”, afirmou.

Perante este cenário, defendeu, “vai ser preciso um Presidente da República que tenha a experiência, a sabedoria política, o conhecimento de olhar para a dispersão atual e fazer dela uma força, fazer dela uma forma de construir a unidade nacional e não ser mais um fator adicional de divisão”.

Menezes pediu aos eleitores que, a 18 de janeiro, não votem apenas com o coração, “mas com a razão também”, considerando que, para efeitos de “governação nacional e de entendimento entre os partidos, só existem duas possibilidades”.

“Ou o país regressa e volta a tentar um caminho que foi o caminho que conduziu o país a uma situação muito complexa e muito difícil – que de uma certa forma foi responsável pela divisão político-partidária em que o país mergulhou – e volta atrás 10 anos; ou continua a andar para diante num clima de unidade, de compreensão, de trabalho conjunto das diferentes forças democráticas”, disse, numa aparente referência ao candidato apoiado pelo PS António José Seguro, que esteve fora da vida política durante uma década.

Por outro lado, o atual autarca alertou ainda contra “o voto inútil na aventura e na divisão”, que pode passar por escolher “alguém que não tem a experiência, o conhecimento e a preparação suficientes para liderar o país”.

“Ou pior ainda, na aventura um pouco menos responsável que é perder o seu voto para ser eleito alguém que nós não queremos que seja eleito”, alertou, sem nunca dizer, em concreto, a quem se referia.

Menezes, que disputou no passado a liderança do PSD com Marques Mendes duas vezes (perdeu uma vez e venceu outra), salientou que apesar dessas divergências pontuais no plano partidário, o atual candidato a Belém é a pessoa de quem sempre esteve mais próximo politicamente.

O autarca elogiou a sua exigência ética, mas também a importância que teve nos dez anos do cavaquismo, em que foi secretário de Estado e ministro.

“Eu não vejo nenhum candidato presidencial que tenha o conhecimento do país, dos partidos políticos, da realidade política ou partidária para lidar com esta difícil e complexa situação de multiplicação de partidos e de formas diferentes de ver o país”, considerou.

Na última iniciativa do primeiro dia de campanha oficial, marcou também presença o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, e vários deputados do PSD e CDS-PP, incluindo a jovem deputada social-democrata Ana Gabriela Cabilhas, que vincou igualmente a mensagem de que o Presidente da República não pode ser “um fator de instabilidade”.

Antes do pequeno comício, Menezes e Mendes deram um breve passeio pelo cais de Gaia, com algumas dezenas de apoiantes.

Numa paragem para um café rápido, o candidato presidencial apoiado por PSD e CDS-PP foi questionado se têm fundamento as críticas de alguns adversários à entrada na campanha do primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro.

“Não fazem sentido nenhum”, respondeu, apenas, Marques Mendes.

As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026, com uma eventual segunda volta a 08 de fevereiro.

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