
Teerão, 02 jan 2026 (Lusa) – Um novo balanço aponta para pelo menos sete mortos em confrontos entre manifestantes e forças de segurança nas provÃncias rurais do Irão, no quinto dia de protestos contra o elevado custo de vida.
Um balanço inicial divulgado na quinta-feira apontava para seis mortos no oeste do Irão, as primeiras vÃtimas mortais da vaga de manifestações, de acordo com um balanço das autoridades.
As mortes, duas registadas na quarta-feira e cinco na quinta-feira, ocorreram em quatro cidades do Irão, em grande parte habitadas pelo grupo étnico minoritário Lur.
Entre as vÃtimas estava um membro de uma milÃcia afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do Irão.
A violência mais intensa parece ter atingido Azna, uma cidade na provÃncia de Lorestan, no Irão, a cerca de 300 quilómetros a sudoeste da capital, Teerão. VÃdeos ‘online’ mostravam alegadamente objetos em chamas nas ruas e tiros a ecoar enquanto as pessoas gritavam: “Sem vergonha! Sem vergonha!”.
A agência de notÃcias semioficial iraniana Fars noticiou que três pessoas foram mortas em Azna.
As manifestações começaram no domingo em Teerão, onde os comerciantes fecharam os seus negócios em protesto contra a hiperinflação, a desvalorização da moeda e a estagnação económica e, de seguida, espalhou-se para as universidades e para o resto do paÃs.
Estes protestos, contudo, não são ainda comparáveis ao movimento que abalou o Irão no final de 2022, após a morte de Mahsa Amini, uma jovem iraniana presa por alegadamente usar um véu islâmico de forma incorreta.
“Numa perspetiva islâmica, se não resolvermos o problema do sustento das pessoas, acabaremos no inferno”, defendeu o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, que convocou o Governo.
Na quarta-feira, um edifÃcio governamental foi atacado em Fassa, no sul do Irão, enquanto quase todo o paÃs entrou em feriado decretado pelas autoridades, que justificaram a medida com o frio e poupança de energia.
Oficialmente, não houve qualquer ligação com os protestos e esta pausa prolongada de atividades, que apenas terminará no domingo.
Desde o inÃcio dos protestos, o Governo tem tentado apaziguar a situação, reconhecendo “exigências legÃtimas” relacionadas com dificuldades económicas.
Na quinta-feira, sete pessoas foram detidas na cidade de Kermanshah, no oeste do paÃs, por supostas ligações com “grupos hostis e membros da oposição exilados”.
A emissora estatal iraniana informou ainda que uma outra operação resultou na apreensão de 100 armas ilegais, sem adiantar mais pormenores.
De acordo com imagens publicadas por ativistas nas redes sociais, ‘slogans’ a favor do retorno da monarquia, como “Esta é a batalha final, Pahlavi regressará”, foram ouvidos em vários protestos, em referência à dinastia Pahlavi, derrubada pela Revolução Islâmica em 1979.
A moeda nacional, o rial, perdeu mais de um terço do valor face ao dólar no último ano, enquanto a hiperinflação de dois dÃgitos tem vindo a corroer o poder de compra dos iranianos há anos, num paÃs sufocado pelas sanções internacionais relacionadas com o programa nuclear de Teerão.
A taxa de inflação em dezembro foi de 52% em comparação com o ano anterior.
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