
Figueira da Foz, Coimbra, 24 dez 2025 (Lusa) — Um osso de baleia presumivelmente com milhares de anos, identificado terça-feira na praia de Buarcos, norte da Figueira da Foz, foi esta manhã removido para o museu municipal da cidade, disse fonte dos bombeiros.
A operação, realizada por cinco operacionais da Companhia de Bombeiros Sapadores (CBS) da Figueira da Foz, pelas 10:20, destinou-se a preservar o achado, umas ossadas com cerca de 1,5 metros de comprimento por um metro de largura e centenas de quilos de peso.
“Não posso precisar quanto pesava, mas era muito pesado. Foi retirado da praia e levado para o museu”, disse à agência Lusa Nuno Pinto, comandante dos Bombeiros Sapadores.
Apesar de ter sido declarado, numa primeira fase, como um osso pélvico, perfeitamente simétrico, e que estaria no areal da Pedra Grande já há alguns dias, informações posteriores apontam tratar-se, afinal, da parte traseira do crânio de uma baleia, que circunda o cérebro.
O osso foi descoberto na praia, a meio da tarde de terça-feira, por SÃlvia Curado, cientista portuguesa radicada nos EUA, que ali passeava acompanhada de familiares.
Na sequência da descoberta da cientista, a Lusa contactou Pedro Callapez, paleontólogo do departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra, que, face às imagens da descoberta, nomeadamente da estrutura óssea em causa, antecipou tratar-se de um osso com milhares de anos.
“O que consigo dizer é que, pelas fotografias, o estado de degradação da própria ossada parece de um indivÃduo que já não é moderno. É relativamente frequente, na costa da Figueira, a norte do Cabo Mondego, aparecerem antigas areias que estão na plataforma continental, que são areias da altura da última glaciação. São areias já com milhares de anos, à s vezes com dezenas de milhares de anos de idade”, explicou o investigador.
“E é muito possÃvel que pode ter sido uma ossada de uma baleia — de um cachalote, eventualmente, teria de se confirmar — que ficou enterrada há alguns milhares de anos. E é bem possÃvel que, durante os temporais, tenha havido uma exumação destas ossadas que vieram dar à costa”, observou Pedro Callapez.
Por outro lado, o especialista afastou a hipótese de se tratar de um fóssil de dinossauro: “É bem diferente disto. Mas estas não deixam de ser ossadas com um aspeto antigo. Quase que me aventurava a dizer que parecem umas ossadas plistocénicas, que, entretanto, deram à costa”, adiantou.
A agência Lusa tentou ouvir o presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, e responsáveis do Museu Municipal Dr. Santos Rocha, mas os contactos resultaram infrutÃferos.
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