
Caracas, 20 dez 2025 (Lusa) — O Governo venezuelano afirmou hoje ter recebido do Irão uma oferta de cooperação “em todos os domÃnios” para enfrentar a “pirataria e o terrorismo internacional” dos EUA, que mantêm um destacamento militar em águas das CaraÃbas próximas da Venezuela.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Yván Gil, indicou hoje no seu canal do Telegram que recebeu uma chamada do homólogo iraniano, Abás AraqchÃ, durante a qual analisaram “os acontecimentos recentes nas CaraÃbas, em especial as ameaças, os atos de pirataria dos Estados Unidos e o roubo de navios carregados com petróleo venezuelano”.
A Venezuela, segundo Yván Gil, recebeu “uma demonstração plena de solidariedade por parte do Governo da República Islâmica do Irão, bem como a sua oferta de cooperação em todos os domÃnios para enfrentar a pirataria e o terrorismo internacional que os Estados Unidos procuram impor através da força militar, violando a Carta das Nações Unidas e o direito internacional”.
Ambos passaram também em revista as relações entre os dois paÃses “no âmbito do acordo estratégico” bilateral, acrescentou.
No dia 12 de dezembro, o Irão classificou como “pirataria estatal” a apreensão, por parte dos EUA, de um petroleiro que transportava crude venezuelano nas CaraÃbas, e assegurou que Washington deverá prestar contas por essa ação.
Segundo meios de comunicação social norte-americanos, as Forças Armadas dos EUA abordaram e apreenderam hoje outro navio em águas internacionais perto da Venezuela.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou o bloqueio da entrada e saÃda da Venezuela de todos os petroleiros sancionados pelo seu paÃs, aumentando assim a pressão sobre o Governo de Nicolás Maduro, a quem acusa de liderar o Cartel dos Sóis, descrito por Washington como uma organização terrorista ligada ao narcotráfico, mas que Caracas considera ser um pretexto para procurar uma “mudança de regime”.
Trump indicou ainda, esta semana, que não exclui a possibilidade de uma guerra com a Venezuela.
O Governo norte-americano incluiu também recentemente 29 navios e as respetivas empresas gestoras na sua lista de sanções, pela sua alegada participação na chamada “frota fantasma” do Irão, acusada de transportar crude e produtos petrolÃferos iranianos através de práticas marÃtimas enganosas para contornar as sanções internacionais e canalizar receitas para Teerão.
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