Ex-guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana exigem congresso extraordinário

Maputo, 17 dez 2025 (Lusa) — Os ex-guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) exigiram hoje a convocação de um congresso extraordinário para a retirada de Ossufo Momade da liderança, após o partido anunciar um conselho nacional para março.

“Ossufo Momade e a sua comissão política devem convocar o congresso extraordinário, colocando o seu lugar à disposição dos membros ativos do partido, representados pelas comissões de gestão que, por sua vez, vão eleger o Gabinete de Preparação do Congresso, que deverá dirigir o partido até a eleição de novos órgãos em sede do congresso extraordinário”, disse o porta-voz dos ex-guerrilheiros, João Machava, em conferência de imprensa na Matola, arredores de Maputo.

Em causa está o anúncio feito na terça-feira pela comissão política da Renamo de marcação do conselho nacional do partido para março de 2026, antecedido por reuniões de generais e de quadros, com o porta-voz do órgão a esclarecer, entretanto, que Ossufo Momade não será candidato às próximas eleições internas.

Segundo Machava, a liderança tem falhado no cumprimento dos compromissos assumidos com os membros do partido e, por isso, a exigência de marcação do congresso extraordinário para a retirada de Ossufo Momade da presidência daquela formação política.

“Em janeiro deste ano, [a comissão política da Renamo] prometeu o conselho nacional para o primeiro trimestre, com indicação da cidade de Vilacunlos [província moçambicana de Inhambane], passaram seis meses sem que algo acontecesse”, queixou-se Machava.

O porta-voz considerou ainda que o anúncio da comissão política surge “perante a pressão” exercida pelas comissões de gestão criadas pelos desmobilizados a nível provincial e distrital.

“[Agora] aparecem com este comunicado para nos enganar, à semelhança do que aconteceu em janeiro, quando prometeram o conselho nacional”, afirmou, rejeitando a reunião de generais anunciada pela direção, classificando-a como inválida.

“A Renamo tornou-se partido político há 33 anos, nunca realizou uma reunião dos generais. E, pelos vistos, esses generais são os mesmos que estão ao lado dele [de Ossufo Momade]. São os mesmos que o agitam (…). Então a reunião dos generais para nós é nula, quase todas as três reuniões para nós são nulas”, referiu João Machava, acrescentando que, devido à atual liderança, “o partido está parado”.

Em 30 de outubro, os ex-guerrilheiros da Renamo voltaram a pedir a demissão de Ossufo Momade da liderança do partido moçambicano, prometendo nova ocupação de delegações provinciais e instalação de comissões de gestão até à realização de novo conselho nacional.

Sem avançar o teor, o porta-voz dos ex-guerrilheiros afirmou ainda que foi enviado um documento ao partido, no âmbito das negociações em curso, e que se aguarda ainda pela resposta.

Machava referiu ainda que o processo de criação de comissões de gestão pelos ex-combatentes continua em várias províncias, acrescentando que o grupo não tem medo, em resposta a uma pergunta sobre eventuais pressões.

“Não temos medo, se tivéssemos medo estaríamos em casa. O que podemos ter é respeito aos órgãos do Estado”, concluiu.

Momade foi reeleito para o cargo em maio de 2024, num processo fortemente contestado internamente.

Ossufo Momade foi candidato presidencial nas eleições de outubro de 2024, obtendo 6% dos votos, o pior resultado de um candidato apoiado pelo partido, que foi a principal força de oposição no país desde as primeiras eleições, em 1994. 

A Renamo realizou um Conselho Nacional em 16 e 17 de outubro, com os ex-guerrilheiros a considerem que o encontro foi “uma manobra dilatória” para manter Momade na presidência. 

EYMZ (PME) // JMC

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