
Beirute, 30 nov 2025 (Lusa) — O Papa Leão XIV pediu hoje aos libaneses para permanecerem no paÃs e desafiou os lÃderes polÃticos do LÃbano a serem verdadeiros pacificadores e a colocarem as diferenças de lado.
“Às vezes, é mais fácil fugir ou simplesmente mais prático ir para outro lugar. É preciso muita coragem e clarividência para ficar ou voltar ao seu paÃs”, disse o lÃder da Igreja Católica quando chegou a Beirute, vindo de Istambul, na segunda etapa da viagem inaugural como Papa.
Leão XIV tentou transmitir uma mensagem de esperança e encorajou o povo libanês a ficar no território, onde o colapso económico agravou a saÃda de cidadãos para outros paÃses.
O Papa está a cumprir uma promessa do seu antecessor, Francisco, que há anos queria visitar o LÃbano, mas não conseguiu devido à s crises e ao agravamento do seu estado de saúde.
O paÃs enfrenta novamente uma incerteza económica, profundas divisões polÃticas e receios de uma nova guerra com Israel.
O lÃder religioso exortou os polÃticos libaneses a “seguirem o difÃcil caminho da reconciliação” para curar as “feridas pessoais e coletivas”.
No seu primeiro discurso perante as autoridades libanesas, apelou para que seja “colocada a paz acima de tudo” e pediu-lhes para serem “artÃfices da paz em circunstâncias muito conflituosas e incertas”.
“É uma grande alegria encontrar-me convosco e visitar esta terra onde ‘paz’ é muito mais do que uma palavra. Aqui, a paz é um desejo e uma vocação, é um dom e uma obra em constante construção”, disse.
No discurso no palácio presidencial, Leão XIV não fez referência direta à recente guerra com Israel ou ao debate sobre armas, mas reconheceu as dificuldades que o povo libanês tem enfrentado.
“Vocês sofreram muito com as consequências de uma economia que mata, com a instabilidade global que tem repercussões devastadoras e com a radicalização de identidades e conflitos”, disse, sublinhando que os libaneses “sempre quiseram e souberam como recomeçar”.
Na intervenção foi também feito um pedido aos lÃderes libaneses para procurarem a verdade e um processo de reconciliação com “aqueles que sofreram erros e injustiças”, se realmente quiserem ser considerados pacificadores.
O LÃbano é o paÃs com a maior percentagem de católicos do Médio Oriente e à chegada do Papa a Beirute milhares de pessoas concentraram-se nas estradas para ver passar o papamóvel, apesar da chuva intensa.
Os cristãos representam 32% da população e 80% deles são católicos maronitas, de acordo com o relatório de 2025 da organização Ajuda à Igreja que Sofre (ACS).
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