
Lisboa, 19 nov 2025 (Lusa) — A ativista guineense e técnica da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) Janica Ndela considera que a ausência de candidatas nas eleições de domingo na Guiné-Bissau mostra como os seus problemas estão fora da agenda dos partidos polÃticos.
“Sem a participação ativa das mulheres na polÃtica, o problema das mulheres nunca vai ser prioridade das agendas polÃticas do paÃs”, disse Janica Ndela à agência Lusa, a propósito das eleições gerais na Guiné-Bissau, que se realizam domingo.
A técnica superior da UMAR e investigadora de questões de género acredita que “há muito trabalho pela frente e há muitos desafios” e que entre esses desafios está a “fraca participação das mulheres na polÃtica”.
“As mulheres ainda continuam a estar atrás dos homens, hierarquicamente continuam a estar abaixo dos homens. Nós podemos ver o número dos candidatos que há nessa eleição presidencial e podemos ver que não há nenhuma candidata, tanto para a presidencial como para as legislativas”, disse.
“Fazer a lei para nós, sem nós, não é lei para nós”, observou.
Sobre o impacto destas eleições na vida da população na Guiné-Bissau, afirmou não confiar nos resultados eleitorais.
Identifica, sobretudo na diáspora guineense em Portugal, uma descrença no processo eleitoral.
“Nós percebemos que não há respeito à Constituição, não há respeito atualmente a leis. As pessoas próprias alteram a lei, interpretam a lei de maneira errada”, referiu.
E acrescentou: “Algumas pessoas politicamente não estão a cumprir com a lei de maneira clara e isso leva-me a concluir, e leva também algumas pessoas a concluÃrem, de que talvez a eleição não vai ser uma eleição clara, uma eleição justa, devido a outras experiências recentes que passaram no paÃs”.
Ainda assim, Janica Ndela acredita que “a mudança vai acontecer de alguma maneira. E a mudança precisa acontecer, tanto lá dentro ou fora”.
“Só que sem a liberdade não há mudança. Sem a liberdade de expressão. Se nós, ativistas, nós, pessoas que defendem direitos humanos, direitos das mulheres, não temos espaço para sermos ouvidas, como é que pode haver mudança em algum lado?”, questionou.
Além do Presidente, Sissoco Embaló, concorrem a estas presidenciais Fernando Dias, Siga Batista, o antigo presidente da República, antecessor de Embaló, José Mário Vaz (Jomav), o antigo primeiro-ministro Baciro Dja e João Bernardo Vieira.
Estão ainda entre os candidatos, Mamadu Iaia Djaló, Herculano Armando Bequinsa, João de Deus Mendes, Honório Augusto Lopes, Gabriel Fernandes e Mário da Silva Júnior.
As eleições legislativas contam com 14 formações polÃticas concorrentes, sem, pela primeira vez, a participação do histórico Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
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