Prematuridade associada a 41% das mortes neonatais em Moçambique

Maputo, 17 nov 2025 (Lusa) – O ministro da Saúde moçambicano disse hoje que 41% das mortes neonatais registadas no país são associadas aos partos prematuros causados por doenças e gestações múltiplas, precoces ou tardias, reiterando que os dados demandam “agir com determinação”.

“As causas mais comuns do parto prematuro incluem gravidezes múltiplas, infeções como a malária e o VIH [Vírus da Imunodeficiência Humana] durante a gravidez e doenças crónicas não controladas, como a diabetes e a hipertensão”, disse Ussene Isse, durante a cerimónia que assinala o Dia Mundial da Prematuridade.

Segundo o governante, a idade materna inferior a 20 anos ou superior a 35 anos também contribui para o nascimento do bebé antes das 37 semanas de gestação recomendáveis: “os dados do nosso sistema de vigilância de mortalidade e causas de morte indicam que a prematuridade está associada a 41% das mortes neonatais — um número que nos interpela a agir com determinação”.

Para Isse, enquanto não se conseguir manter as raparigas na escola e empoderar as mulheres para tomarem decisões informadas sobre a sua saúde e a das suas famílias, o país continuará a enfrentar o desafio das gravidezes precoces e não planeadas, “muitas vezes sem o devido espaçamento entre os partos”.

O ministro da Saúde frisou que o início precoce das consultas pré-natais e o cumprimento da data das mesmas, uso de redes mosquiteiras impregnadas para prevenir a malária, tratamento adequado das doenças cónicas, redução do stresse emocional e físico, maior espaçamento entre as gravidezes, recorrendo ao planeamento familiar e à contraceção, pode auxiliar na prevenção dos partos prematuros.

“Este dia não serve apenas para sensibilizar, mas sobretudo para mobilizar políticas, recursos, cuidados especializados e apoio às famílias, de forma a garantir que as nossas crianças não apenas sobrevivam, mas cresçam e prosperem”, afirmou.

O responsável reiterou que o compromisso inscreve-se nas metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável que o país almeja alcançar, aliados às “ações fundamentais” que se centram na prestação de cuidados adequados à mulher grávida e aos recém-nascidos prematuros.

“O Ministério da Saúde, com o apoio dos parceiros, está a reforçar as unidades neonatais a nível distrital, a ampliar o programa de seguimento dos bebés prematuros e a promover a sensibilização comunitária sobre a prematuridade e as suas consequências”, descreveu.

Para Isse, quando se dá a cada bebé prematuro o início saudável que merece, “semeia-se a esperança”, sendo “fundamental” que os profissionais de saúde nunca se esqueçam que “cada bebé prematuro conta”, as famílias sintam que podem exigir serviços de qualidade e participem ativamente no cuidado dos recém-nascidos e os “decisores, parceiros e à sociedade civil” façam da causa uma “prioridade nacional”.

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