
Maputo, 17 nov 2025 (Lusa) – Pelo menos 23 credores reclamam 25,5 milhões de euros à fábrica de açúcar orgânico EcoFarm, em falência desde 2024, cinco anos após a inauguração, na provÃncia moçambicana de Sofala, pelo então Presidente da República, Filipe Nyusi.
De acordo com o edital da lista geral de credores da insolvente EcoFarm Moçambique, que funcionava em Chemba, Sofala, a que a Lusa teve hoje acesso, foram identificadas dÃvidas de quase 1.892 milhões de meticais (25,5 milhões de euros), sendo que só aos cerca de 600 trabalhadores são devidos 121,9 milhões de meticais (1,6 milhões de euros).
A fábrica resultou de um investimento público-privado — sul-africanos e neerlandeses, além de moçambicanos -, esperando-se então que o açúcar produzido chegasse ao mercado europeu, tendo uma capacidade de produção de 13.500 toneladas por ano.
A ação especial de insolvência da açucareira, que não adianta motivos para a falência, e respetivo processo de reclamação de créditos, corre termos na secção comercial do Tribunal Judicial da ProvÃncia de Sofala, na cidade da Beira, centro do paÃs.
O então Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, inaugurou em 26 de julho de 2019 aquela fábrica de produção de açúcar orgânico, num investimento orçado então em cerca de 35 milhões de dólares (31 milhões de euros).
“O setor açucareiro é um dos sectores-chave de produção e empregabilidade no paÃs, albergando maior número de trabalhadores e nÃveis de produção para sustentar o seu mercado, dada a sua importância”, afirmou Filipe Nyusi na inauguração do empreendimento, naquela ocasião.
O então diretor-geral da fábrica, Rademan Van Runsberg, assegurou na mesma altura que a unidade tinha uma “particularidade importante”: “Não usa na produção nenhum produto quÃmico que pode alterar a sua qualidade natural. É por isso que se chama de açúcar orgânico”.
A provÃncia de Sofala passou na altura a contar com três fábricas de açúcar: Companhia de Sena, em Marromeu, de capitais mauricianos; Açucareira de Moçambique, no Dondo, de investimentos sul-africanos; e a Ecofarm, entretanto encerrada.
Contudo, a produção de açúcar tem sido condicionada desde 2019 devido aos ciclones que fustigaram a zona centro do paÃs, destruindo as culturas e condicionado o volume produzido desde então.
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